Vorcaro pagava de mesada ao cartão de crédito de Ciro Nogueira
Mensagens interceptadas mostram cobrança por repasses ao senador
Publicado em: 07/05/2026 às 21:40 | Atualizado em: 07/05/2026 às 21:48
A Polícia Federal identificou indícios de pagamentos mensais feitos ao senador Ciro Nogueira em um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. As informações fazem parte da 5ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF.
Segundo a investigação, mensagens interceptadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o operador financeiro Felipe Vorcaro apontam repasses recorrentes ao senador por meio da empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, para a CNLF Empreendimentos, veículo patrimonial associado à família de Ciro.
Em uma das conversas, Felipe pergunta: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indicando possível aumento nos pagamentos mensais destinados ao parlamentar.
A PF afirma que a contrapartida seria o uso do mandato para favorecer interesses do banco. O foco da apuração é a emenda nº 11 à PEC 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em 2024, que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Os investigadores apontam que o texto da proposta teria sido redigido pela própria assessoria do Banco Master e entregue ao senador. Em mensagens obtidas pela PF, Daniel Vorcaro afirma que a emenda “saiu exatamente como mandei”.
A operação também apura lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e manipulação de mercado. Além de Ciro Nogueira, Felipe Vorcaro foi preso, e empresas ligadas ao grupo tiveram atividades suspensas por determinação do STF.
A defesa do senador afirmou que ele irá colaborar com as investigações e negou participação em irregularidades.
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Foto: Pedro França/Agência Senado
