Hugo Motta banca quase meio milhão por mês com bolsonaristas fugitivos

Deputados fugitivos Ramagem, Zambelli e Eduardo Bolsonaro custaram R$ 419,3 mil aos cofres públicos em outubro, apesar da ausência.

Câmara defende urgência em lei contra crime organizado

Publicado em: 01/12/2025 às 20:37 | Atualizado em: 01/12/2025 às 20:37

Mesmo fora do Brasil e sem poder exercer seus mandatos, os deputados federais fugitivos Alexandre Ramagem (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carla Zambelli (PL-SP) continuaram gerando despesas para a Câmara dos Deputados.

Um levantamento da GloboNews aponta que o custo total dos três atingiu R$ 419,3 mil somente em outubro. O valor engloba a verba de gabinete e a cota parlamentar dos deputados.

Custos de Ramagem e situação legal

Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, é considerado fugitivo desde que deixou o país em setembro.

Em outubro, ele utilizou mais de R$ 20,8 mil em cota parlamentar.

Somando a cota e os gastos de gabinete, Ramagem custou quase R$ 154 mil aos cofres públicos no mês.

O ex-diretor da Abin também continua utilizando um imóvel funcional da Câmara.

O salário e a cota parlamentar de Ramagem só foram bloqueados a partir de novembro, por determinação do ministro Alexandre de Moraes (STF). O salário base de um deputado é de R$ 46.366,19.

Gabinetes ativos mantêm custos

Os salários e cotas de Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro já haviam sido bloqueados anteriormente por Moraes após ambos deixarem o Brasil. No entanto, os custos de manutenção de seus gabinetes permaneceram ativos em outubro:

O gabinete de Carla Zambelli manteve 12 funcionários ativos, custando R$ 132,9 mil no período.

O gabinete de Eduardo Bolsonaro manteve nove funcionários ativos, custando R$ 132,4 mil no período.

Divergências sobre a perda de mandato

O STF já determinou a perda de mandato de Ramagem e Zambelli, ambos condenados em diferentes processos. A Corte entende que, em casos de condenação transitada em julgado (sem recursos), a Câmara deve apenas confirmar a cassação de ofício, sem necessidade de votação.

Contudo, a Câmara adotou uma interpretação diferente no caso de Zambelli (que fugiu para a Itália), enviando o processo para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise e posterior votação em plenário. Ainda não há definição sobre como o caso de Ramagem será tratado.

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Foto: Marina Ramos/Agência Câmara dos Deputados