Amazônia: lucro dos estados com crédito de carbono pode superar Fundo Amazônia
Estados da Amazônia Legal podem gerar até US$ 20 bilhões até 2030 com programas de REDD+ Jurisdicional; Tocantins, Acre, Pará e Mato Grosso lideram iniciativas
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/10/2025 às 10:05 | Atualizado em: 13/10/2025 às 10:05
Os estados da Amazônia Legal podem alcançar uma receita sem precedentes com a comercialização de créditos de carbono nos próximos anos. Com isso, pode superar inclusive o volume total de recursos já arrecadados pelo Fundo Amazônia desde sua criação.
Conforma o jornal Valor Econômico, a estimativa é do Earth Innovation Institute, organização sediada em Berkeley, na Califórnia, especializada em programas de conservação ambiental na América Latina e na Ásia.
De acordo com o estudo, a região amazônica poderá gerar entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões até 2030 por meio da venda de créditos de carbono vinculados à redução de emissões de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento e da degradação florestal evitados.
Assim, a metodologia é baseada no conceito de REDD+ Jurisdicional (ou JREDD+), que contabiliza as reduções dentro dos limites de um território — seja um município, Estado ou país.
Como resultado, os dados indicam que, até 2026, Acre, Tocantins, Pará e Mato Grosso — considerados os mais avançados na implementação de programas JREDD+ — poderão emitir cerca de 100 milhões de créditos de carbono, gerados a partir das reduções de emissões entre 2023 e 2024.
Nesse sentiudo, a receita estimada é de US$ 1,5 bilhão, valor que supera o total das doações feitas ao Fundo Amazônia desde 2008, de aproximadamente US$ 1,4 bilhão.
Assim sendo, o avanço dos programas de REDD+ Jurisdicional marca uma nova etapa nas políticas ambientais da Amazônia Legal, que passa a estruturar mercados regionais de carbono com potencial de atrair investimentos privados e recompensar iniciativas de conservação.
Portanto, sete estados amazônicos já se encontram em diferentes fases de implementação de políticas de JREDD+, com destaque para Tocantins, Acre e Pará, que lideram as negociações.
Por exemplo, em 2023, o Tocantins iniciou a formatação de sua política estadual de REDD+ Jurisdicional, realizando uma chamada pública para selecionar um parceiro privado.
O processo resultou em um acordo com a trader suíça Mercuria Energy Group, que investiu R$ 20 milhões no projeto e, por meio de seu fundo Silvania, se comprometeu a adquirir e comercializar os créditos de carbono jurisdicionais do Estado até o final da década.
Assim sendo, a projeção inicial é ambiciosa: 50 milhões de créditos gerados até 2030, o que pode representar uma receita adicional de mais de R$ 2,5 bilhões para o Tocantins.
Além disso, o interesse crescente dos Estados amazônicos pelo mercado de carbono reflete não apenas a pressão global por soluções climáticas, mas também a oportunidade econômica que a conservação florestal pode oferecer.
Leia mais no jornal Valor Econômico.
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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
