Arrependimento, perdas e traumas, a realidade de brasileiros na Ucrânia

"Fantástico" colheu duras histórias de mercenários que lutaram por causa estrangeira. E se arrependem

Publicado em: 09/02/2026 às 22:35 | Atualizado em: 09/02/2026 às 22:37

Brasileiros têm sido atraídos para a guerra na Ucrânia por promessas enganosas de altos salários e melhores condições, mas relatam uma realidade marcada por violência, fome, tortura e arrependimento. Reportagem do Fantástico ouviu quatro ex-combatentes baianos que chegaram a lutar contra o exército russo e hoje tentam reconstruir a vida no Brasil.

Um deles, João Victor de Jesus Teixeira, que chegou a gravar vídeos incentivando o alistamento, afirma que se arrepende da decisão após presenciar a morte de amigos no campo de batalha. Outros relatam que foram iludidos por supostos salários elevados, que na prática correspondiam a valores muito menores quando convertidos da moeda local.

Sem experiência militar, alguns brasileiros dizem ter aprendido a lutar apenas durante o conflito. Os relatos incluem bombardeios constantes, falta de equipamentos, ferimentos graves e a morte de dezenas de colegas. Há ainda denúncias de tortura contra combatentes que tentam abandonar o front, além de episódios de fome extrema.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, desde o início da guerra, 19 brasileiros morreram na Ucrânia e 44 estão desaparecidos. Famílias no Brasil enfrentam longos períodos sem notícias e vivem sob constante angústia. O Itamaraty afirma prestar assistência consular aos familiares.

Apesar do conflito se aproximar do quarto ano, ainda há brasileiros atuando na linha de frente. A embaixada da Ucrânia no Brasil afirma que não recruta estrangeiros e que os voluntários têm os mesmos deveres e direitos de soldados ucranianos.

De volta ao país, ex-combatentes relatam dificuldades para retomar a rotina e lidar com os traumas deixados pela guerra.

Leia mais no G1.

Foto: Reprodução/TV Globo