Brasil pode enfrentar tarifa extra de 12,5% dos Estados Unidos
Caso as tarifas sejam cumulativas, produtos brasileiros poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5% ao entrar no mercado americano
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/07/2026 às 05:48 | Atualizado em: 17/07/2026 às 05:48
O governo brasileiro acompanha com preocupação a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, desta vez em razão de uma investigação que apontou falhas do Brasil no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A principal dúvida do Palácio do Planalto é se essa taxa será somada à sobretaxa de 25% já anunciada por Washington ou se uma delas substituirá a outra. Como informa o g1.
A expectativa, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, é que a definição seja anunciada na próxima semana, quando será concluída a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
“A investigação sobre o trabalho forçado termina na semana que vem. Aí nós vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão”, afirmou o ministro durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16).
A investigação, concluída no mês passado, apontou que a União Europeia e outros 59 países, entre eles o Brasil, não adotaram medidas suficientes para proibir e fiscalizar a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Como consequência, o governo americano propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias oriundas desses mercados.
A medida tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, o mesmo instrumento jurídico utilizado pela administração americana para justificar a imposição da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada nesta quinta-feira.
De acordo com o MDIC, a expectativa é de que a nova tarifa seja aplicada de forma uniforme a todos os países incluídos na investigação. Segundo Márcio Elias Rosa, a medida deve substituir a tarifa geral de 10% atualmente aplicada a diversos países, que deixará de vigorar na próxima semana.
“A expectativa é que virá para todos, porque essa tarifa da seção 301 do trabalho forçado os Estados Unidos criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem. O que vai cair em 10% para o mundo inteiro eles vão substituir por essa de 10 ou 12,5%”, explicou o ministro.
Caso as tarifas sejam cumulativas, produtos brasileiros poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5% ao entrar no mercado americano, elevando a preocupação do governo e do setor exportador com os impactos sobre a competitividade das exportações brasileiras.
Leia mais no g1.
Leia mais
Repúdio do Brasil ao TariFlávio dos EUA expõe falácias de Trump
Foto: reprodução/Flickr/White House
