Efeito Trump: Brasil vende à China o dobro do que vendia aos EUA

Brasil amplia alinhamento estratégico e comercial com a China em meio ao tarifaço e tensões com os Estados Unidos.

Publicado em: 06/09/2025 às 10:57 | Atualizado em: 06/09/2025 às 10:58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou nesta sexta-feira (5/9) a importância da parceria entre Brasil e China, reafirmando que o país está aberto a negociar com todas as nações que queiram adquirir seus produtos. “O Brasil produz, quer vender seus produtos, e a gente vende pra quem quer comprar”, disse Lula em entrevista ao SBT Brasil.

A declaração ocorreu no contexto de um aumento da tensão comercial com os Estados Unidos, após o governo Donald Trump impor tarifas que chegam a 50% sobre parte das exportações brasileiras.

Segundo o presidente, enquanto a balança comercial com os norte-americanos é deficitária, a relação com os chineses é superavitária e já movimenta o dobro do comércio com os EUA.

O assessor especial Celso Amorim também reforçou esse alinhamento ao participar, nesta semana, de uma cerimônia militar em Pequim, onde discutiu multilateralismo e cooperação do Sul Global com o chanceler chinês Wang Yi. Amorim entregou uma carta de Lula ao presidente Xi Jinping, parabenizando a China pelas comemorações do “Dia da Vitória”.

Além da troca de mensagens e encontros diplomáticos, Lula e Xi Jinping mantêm diálogo frequente. Em agosto, os dois líderes conversaram por telefone durante cerca de uma hora, tratando de novos negócios e da ampliação da parceria bilateral.

O Brasil tem intensificado acordos com a China em diversas áreas.

Em julho, foi assinado no Rio de Janeiro um memorando de cooperação que inclui sinergias estratégicas ligadas ao PAC, ao Plano de Transformação Ecológica, à Nova Indústria Brasil e à Iniciativa Cinturão e Rota.

Já em maio, Lula esteve em Pequim, onde foram firmados 36 acordos comerciais, abrangendo setores como farmacêutico, automotivo e tecnologia.

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Entre os destaques está a entrada da empresa chinesa Meituan no Brasil, em concorrência direta com o iFood.

Esse movimento sinaliza uma clara reorientação diplomática e econômica, posicionando o Brasil como parceiro estratégico da China em um cenário de crescente instabilidade com os Estados Unidos.

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Foto: Ricardo Stuckert