EUA chamam de absurdo temor de intervenção militar no Brasil
Os Estados Unidos classificaram como absurdo o temor do Itamaraty de que a designação do PCC e CV como terroristas motive ação militar no Brasil.
Publicado em: 07/07/2026 às 17:45 | Atualizado em: 07/07/2026 às 17:45
O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurdo” o temor manifestado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, de que Washington possa utilizar força militar em território brasileiro. O receio do chanceler surgiu após o governo norte-americano classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em resposta exclusiva ao Metrópoles, a diplomacia dos EUA rechaçou a hipótese de intervenção e explicou que as medidas visam combater grupos criminosos que expandiram suas operações para dentro do território norte-americano.
“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, afirmou o Departamento de Estado.
A diplomacia estadunidense alertou ainda que “alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, criticando a postura do governo brasileiro.
O documento do Itamaraty
A forte reação de Washington responde a um documento oficial assinado por Mauro Vieira e encaminhado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados. No texto, o chanceler brasileiro argumenta que a decisão unilateral dos EUA abre margem para ações extraterritoriais contra instituições e cidadãos do Brasil.
Segundo Vieira, a legislação antiterrorismo norte-americana possui ampla discricionariedade, o que traria os seguintes riscos ao país:
Ações Extraterritoriais: Sanções administrativas e judiciais unilaterais nos âmbitos financeiro, migratório e penal contra pessoas e empresas brasileiras com ligações mesmo que indiretas com as facções.
Uso da Força: Risco real de emprego de força militar dos EUA contra o território nacional sob a justificativa de combate ao terrorismo.
Apesar do alerta e de reiterar sua oposição a medidas unilaterais, o Itamaraty ressaltou no documento que o governo brasileiro não recebeu nenhuma comunicação formal de Washington sobre a nova classificação das facções criminosas.
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
