EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas
Decisão do governo Trump passa a valer em 5 de junho e gera preocupação no Planalto sobre riscos à soberania nacional e possíveis impactos econômicos
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/05/2026 às 06:32 | Atualizado em: 29/05/2026 às 06:32
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que vai designar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A decisão foi comunicada pelo Departamento de Estado norte-americano e entrará em vigor a partir de 5 de junho.
Segundo o comunicado oficial, as medidas foram adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump. As designações passam a valer após publicação no Federal Register, equivalente ao diário oficial do governo americano.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o CV e o PCC estão entre as organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.
“Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”, declarou Rubio.
A medida representa uma mudança significativa na política externa dos EUA para a América Latina durante o novo mandato de Donald Trump. O governo americano vem ampliando ações sob o argumento de combate ao chamado “narcoterrorismo”, conceito que passou a orientar operações militares e de inteligência na região.
Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou evitar a classificação das facções como grupos terroristas. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a decisão pode abrir caminho para sanções econômicas, restrições financeiras e até justificar futuras intervenções unilaterais dos EUA em território brasileiro.
Especialistas em relações internacionais e segurança pública também demonstram preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional.
Segundo analistas, a nova classificação pode alterar o nível de compartilhamento de informações entre órgãos de segurança brasileiros e norte-americanos, centralizando dados sensíveis em estruturas de inteligência dos EUA, como a CIA e organismos militares. Isso poderia comprometer investigações conjuntas em andamento e dificultar futuras cooperações bilaterais.
O anúncio ocorre em meio à intensificação da agenda política entre aliados de Trump e integrantes da oposição brasileira. Na quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington e se reuniu com Marco Rubio. Um dia antes, ele também participou de encontro com Donald Trump na Casa Branca, acompanhado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O tema da criminalidade organizada já havia sido tratado entre Lula e Trump neste mês, durante reunião na Casa Branca. Na ocasião, os dois presidentes discutiram mecanismos de cooperação para combater financeiramente organizações criminosas transnacionais. Segundo Lula, porém, não houve debate específico sobre a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas.
A decisão norte-americana ocorre em um cenário de crescente tensão diplomática e pode ampliar o desgaste entre Brasília e Washington às vésperas do processo eleitoral brasileiro de 2026.
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Foto: reprodução/Agência Brasil/EBC
