Governo atende reivindicações e caminhoneiros cancelam greve nacional

Edição de medida provisória e novas resoluções da ANTT garantem o cumprimento do piso mínimo do frete e intensificam fiscalização nas rodovias

Governo atende reivindicações e caminhoneiros cancelam greve nacional

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 26/03/2026 às 11:52 | Atualizado em: 26/03/2026 às 11:52

O fantasma de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros, que ameaçava o abastecimento do país, foi afastado nesta quarta-feira (25).

Após a publicação da Medida Provisória 1.343/2026 e de novas resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a categoria decidiu rever a decisão de cruzar os braços, optando pelo diálogo diante do atendimento de pautas que se arrastavam desde 2018.

As medidas anunciadas pelo Governo Federal criam mecanismos rigorosos para tirar do papel a Lei do Piso Mínimo do Frete. A informação foi publicada pela Agência Brasil.

O anúncio da desistência da greve ocorreu após uma reunião em Brasília entre lideranças da categoria, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

O “cerco” ao frete irregular

O grande diferencial do novo pacote está na operacionalização da lei. A Resolução 6.077 estabelece sanções progressivas para empresas que desrespeitarem o piso.

Já a Resolução 6.078 ataca a origem da contratação: o sistema agora impedirá a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) caso o valor registrado esteja abaixo do mínimo legal. Sem o CIOT, o transporte é considerado ilegal, sujeitando o veículo à apreensão.

O cálculo do piso continuará levando em conta variáveis como o número de eixos, o tipo de carga (granel, frigorificada, etc.) e a distância, mantendo-se o gatilho de reajuste automático sempre que o preço do diesel variar 5% ou mais.

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Fiscalização e inteligência

Segundo Guilherme Theo Sampaio, diretor da ANTT, a capacidade de fiscalização nas estradas foi ampliada em 2.000%.

“Se há sonegação e lavagem de dinheiro, nós seguimos o fluxo do dinheiro para descobrir também o descumprimento da tabela”, afirmou, destacando que a inteligência do governo agora cruzará dados para combater também crimes financeiros no setor de transporte.

Para o ministro Guilherme Boulos, o acordo é estratégico para a estabilidade do país. “Sem os caminhoneiros não chega combustível no posto, não chega arroz na prateleira”, pontuou, comprometendo-se a mobilizar a base parlamentar para que a MP 1.343 não perca a validade no Congresso, onde deve ser votada até julho.

Dignidade na estrada

Para Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira — região onde o movimento paredista ganhou força em março —, as novas regras trazem a segurança necessária para o caminhoneiro autônomo.

“O caminhoneiro quer trabalhar, mas precisa de regra sendo cumprida. O piso mínimo é vida, é o que garante dignidade e qualidade de vida na estrada”,

declarou Santos, reforçando que, com as portas do governo abertas, não há motivo para paralisações.

*Com informações da Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil