Lula diz que mundo está distante de atingir objetivo do Acordo de Paris
Os mais de 50 chefes de Estado, vice-primeiros-ministros e delegações de 143 países realizaram na COP30 um balanço dos 10 anos desse tratado internacional.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 07/11/2025 às 19:13 | Atualizado em: 07/11/2025 às 19:39
No último dia de reunião da Cúpula de Líderes da COP30, o presidente Lula da Silva admitiu uma verdade desagradável: “O mundo ainda está distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris”.
Os mais de 50 chefes de Estado, vice-primeiros-ministros e delegações de 143 países realizaram nesta sexta-feira, 7 de outubro, em Belém (PA), um balanço dos 10 anos desse tratado internacional.
O Acordo de Paris estabeleceu como principal objetivo limitar o aumento da temperatura no planeta a 1,5ºC até o final do século.
“O acordo se baseia no entendimento de que cada país fará o melhor que estiver ao seu alcance para evitar um aquecimento de mais de 1ºC e 1,2ºC. O que nos cabe perguntar hoje é: estamos realmente fazendo o melhor possível? A resposta é: ainda não”, disse Lula.
O presidente explica que 100 países representando quase 73% das emissões globais apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), metas climáticas.
De acordo com ele, a maioria avançou nas novas NDC’s ao abranger todos os setores econômicos e todos os gases de efeito estufa, mas o planeta ainda caminha para um aquecimento de cerca de 2,5ºC.
“No que depender do Brasil, Belém (PA) será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris. Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade”, propôs.
Desse modo, Lula considera fundamental que os países saiam da COP30 com compromisso de acelerar o alinhamento das NDC’s a missão do 1,5ºC, com o qual já houve compromisso em Dubai.
“Sem meios de implementação adequados, exigir a ambição dos países em desenvolvimento é injusto e realista. O mapa do caminho Baku-Belém mostra que com vontade política temos alternativas para chegar à meta de US$ 1,3 trilhão por ano.”
“Hoje, só uma pequena parcela do financiamento climático chega ao mundo em desenvolvimento. A maioria dos recursos ainda é oferecida sob forma de empréstimo. O enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como um investimento, não como um gasto”, observa.
Financiamento
Lula ressalta que as exigências crescentes de adaptação vão requerer esforços ainda maior de financiamento.
“Sem incluir o capital privado, a conta não fechará. A maior parte da riqueza mundial gerada nas últimas quatro décadas foi apropriada por indivíduos ou empresas. Ao mesmo tempo, os orçamentos nacionais encolheram”, avalia.
O presidente ressalta dados do Fundo de Adaptação da ONU (FAN) segundo os quais as pessoas pertencentes a 0,1% mais rico do planeta emite em um único dia mais carbono do que os 50% mais pobre da população mundial durante o ano inteiro.
“É legítimo e destinar dessas pessoas uma maior contribuição. O imposto mínimo sobre as corporações multinacionais e a tributação do patrimônio de super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climática. Os mercados de carbono também podem se tornar importantes fontes de receita pública, mas só ganharão escala se os países caminharem na direção de parâmetros comuns”, observa.
Por fim, Lula defende o multilateralismo como forma de alcançar os objetivos traçados na primeira conferência na Amazônia.
“A proposta de criação de um Conselho do Clima que já teve a oportunidade de apresentar ao G20 e à Assembleia Geral da ONU é uma forma de dar ao desafio da implementação à estatura política que merece. Faço um chamado a todos vocês. Não existe solução para o planeta fora do multilateralismo”, conclama.
Leia mais
Amazônia: Brasil e França acordam combate ao tráfico e garimpeiros na fronteira
Foto: Ricardo Stuckert/PR
