Perícia aponta que Bolsonaro pode seguir na Papudinha e frustra defesa

Laudo médico reconhece fragilidade na saúde do ex-presidente, mas descarta transferência hospitalar; advogados insistirão em prisão domiciliar no STF.

Vereador pede ao STF revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 08/02/2026 às 17:47 | Atualizado em: 08/02/2026 às 17:47

A defesa e os aliados mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receberam com pessimismo, nesta semana, o resultado da perícia médica realizada pela Polícia Federal.

O laudo técnico aponta que o ex-mandatário possui condições de permanecer detido na ala especial da Penitenciária da Papuda, conhecida como “Papudinha”, desde que submetido a cuidados médicos específicos.

Conforme a informação divulgada pelo ICL Notícias, a conclusão dos peritos atingiu em cheio a principal estratégia da equipe jurídica de Bolsonaro.

Após o ex-presidente perder o direito à prisão domiciliar em novembro passado — devido a uma tentativa de violação de sua tornozeleira eletrônica —, os advogados apostavam que um laudo médico contundente seria o argumento decisivo para convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) a autorizar seu retorno para casa.

Entre o risco de queda e a estrutura penal

Embora o documento reconheça que Bolsonaro apresenta uma série de problemas de saúde que podem sofrer agravamento no ambiente carcerário, os médicos federais indicaram que a estrutura atual da unidade prisional é suficiente para o atendimento necessário.

A perícia descartou a necessidade de transferência para um hospital penitenciário, mas não chegou a avaliar a viabilidade da prisão domiciliar, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes não incluiu esse quesito na determinação original.

Em nota oficial, os advogados de defesa ressaltaram que o processo de avaliação ainda não foi concluído, aguardando o parecer de um assistente técnico indicado pela família. A defesa enfatiza que o laudo menciona riscos severos, incluindo a possibilidade de quedas e até de morte, caso o monitoramento não seja rigoroso.

O fator político e o ônus do Estado

Nos bastidores, interlocutores do ex-presidente manifestam preocupação. Sob reserva, um aliado afirmou que o estado de saúde de Bolsonaro é “pior do que o descrito” e apresenta tendências claras de deterioração.

O argumento político utilizado pelo grupo é de que a manutenção da prisão representa um risco para o próprio Estado: um eventual acidente grave ou óbito sob custódia traria um ônus institucional e político direto ao STF.

“A tentativa de romper a tornozeleira em novembro foi um episódio isolado, fruto de um surto, e não um plano de fuga”, minimizam aliados ao defenderem que o ex-presidente não oferece risco de evasão se voltar ao regime domiciliar.

Contradições internas

A situação expõe uma divergência de narrativas. Enquanto a família de Bolsonaro trata a permanência na Papudinha como um risco de vida iminente, a própria equipe médica particular do ex-presidente deu a ele alta hospitalar após a última internação, em dezembro.

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