Progressistas são mais ricos, escolarizados e isolados politicamente
Estudo aponta que o isolamento dos progressistas reforça o avanço do populismo de direita.
Publicado em: 12/10/2025 às 10:12 | Atualizado em: 12/10/2025 às 10:12
Uma pesquisa inédita do think tank More in Common, em parceria com o instituto Quaest e publicada pelo Estadão, revela que os progressistas militantes — mais ricos, escolarizados e menos religiosos — formam o grupo ideológico mais isolado da sociedade brasileira, o que contribui para o fortalecimento do populismo de direita. O estudo, intitulado “Populismo e progressismo no Brasil polarizado”, entrevistou 10 mil brasileiros entre 22 de janeiro e 12 de fevereiro de 2025 para compreender como os cidadãos se distribuem politicamente.
Seis grupos e um país além da polarização
A pesquisa desmonta a ideia de que o Brasil está dividido apenas entre lulistas e bolsonaristas, identificando seis grupos ideológicos com comportamentos distintos: Progressistas Militantes (5%), Esquerda Tradicional (14%), Desengajados (27%), Cautelosos (27%), Conservadores Tradicionais (21%) e Patriotas Indignados (6%). Os dois maiores, Desengajados e Cautelosos, representam juntos 54% da população e tendem a se manter afastados da polarização política.
Quem são os progressistas militantes
Os Progressistas Militantes, o grupo mais diferenciado, têm 53% com ensino superior, 37% com renda acima de R$ 10 mil e 41% sem religião.
São majoritariamente brancos (57%) e com alta identificação com partidos de esquerda — 39% simpatizam com o PT e 16% com o PSOL.
Engajados e preocupados com causas de gênero, raça e justiça social, eles contrastam fortemente com os demais segmentos, que priorizam valores como família e fé.
O estudo mostra que, em questões como punição de menores infratores, direitos humanos e cotas universitárias, os progressistas têm posições muito mais à esquerda. Apenas 30% defendem prisão para menores, menos de 5% acreditam que os direitos humanos atrapalham o combate ao crime e apenas 10% rejeitam o sistema de cotas.
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Isolamento e populismo
Segundo o pesquisador Pablo Ortellado, diretor da More in Common, esse isolamento social e intelectual do progressismo cria terreno fértil para o populismo cultural de direita, que se apoia na retórica de que “as elites progressistas tentam impor seus valores ao povo conservador”. A pesquisa indica que essa narrativa tem sido decisiva para a consolidação do bolsonarismo e do discurso populista no país.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
