Risco multiplicado: Brasil tem alta histórica de motoristas sem CNH
Abramet aponta aumento nas autuações e alerta para o impacto na segurança viária em todo o país.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 20/11/2025 às 12:50 | Atualizado em: 20/11/2025 às 12:58
O número de motoristas dirigindo sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cresceu de forma alarmante no Brasil. Levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) registrou aumento de 35% nas autuações entre janeiro e setembro de 2025, isso representa quase um milhão de casos (972.982) entre dirigir sem CNH e estar com o documento vencido.
A entidade destaca que conduzir sem preparo multiplica os riscos nas ruas e rodovias. Estudos internacionais citados pela Abramet mostram que motoristas sem habilitação têm até 11 vezes mais chances de causar acidentes graves ou fatais.
A falta de fiscalização e o alto custo da CNH — que pode chegar a R$ 5 mil em alguns estados — permanecem entre os principais fatores que empurram condutores para a irregularidade.
No Amazonas, os impactos são evidentes. Em dezembro de 2024, dois adolescentes se envolveram em um acidente entre motocicletas em Parintins. Uma das vítimas perdeu os movimentos e segue em reabilitação até hoje.
Em Manaus, outro caso emblemático ocorreu em abril de 2024. Um veículo irregular se envolveu em uma batida que matou duas jovens, de 18 e 15 anos.
O episódio mais recente reacendeu o debate sobre imprudência no trânsito da capital amazonense. No dia 16 de novembro de 2025, um racha na Avenida do Turismo, uma das vias mais equipadas com radares de velocidade , deixou dois mortos após a colisão entre três veículos.
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Dados alarmantes
Além dos episódios locais, dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) revelam que o Amazonas ocupa a última posição do Índice de Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança (IRIS), divulgado em setembro de 2025. O estado obteve apenas 1,86 ponto, de cinco, bem abaixo do Distrito Federal (4 pontos), primeiro colocado.
Os impactos também pressionam o Sistema Único de Saúde (SUS). O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados do DataSUS, estima que vítimas de trânsito custaram R$ 449 milhões ao sistema apenas em 2024. Os gastos vão desde o atendimento emergencial até a reabilitação prolongada e o fornecimento de órteses e próteses.
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Penalidades
As consequências de dirigir sem CNH vão muito além da multa, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro(CTB).
A infração é gravíssima, com penalidade, em média, de R$ 880,41 e retenção do veículo, mas os impactos legais aumentam quando há acidente ou embriaguez.
O condutor irregular pode responder civil e criminalmente, especialmente em casos com vítimas. Também passa a arcar com todos os custos materiais e indenizatórios, já que seguradoras não cobrem acidentes causados por motoristas sem habilitação.
Além disso, a Lei de Trânsito prevê detenção em situações de lesão corporal culposa ou homicídio culposo ao volante. São riscos que se somam ao peso emocional e às consequências permanentes que atingem famílias inteiras.
A Polícia Rodoviária Federal reforça que emprestar veículo a quem não possui habilitação também configura infração, sujeita a multa e pontos na carteira do proprietário.
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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
