Tendência de ministros mais jovens marca disputa por vaga no STF

Indicados ao STF reforçam tendência de renovação com ministros cada vez mais jovens e mandatos longos.

Publicado em: 11/10/2025 às 09:00 | Atualizado em: 11/10/2025 às 09:00

A corrida pela sucessão de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) reforça uma tendência recente: a escolha de ministros cada vez mais jovens. Os principais cotados — Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (45 anos); Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado (48); e Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (47) — podem engrossar a lista dos “sub-50” da Corte, caso um deles seja o escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos últimos anos, quatro dos cinco novos ministros chegaram ao tribunal antes dos 50 anos, numa mudança que reflete o desejo de maior longevidade institucional e influência prolongada. A única exceção foi Flávio Dino, nomeado aos 55.

Uma Corte rejuvenescida

Desde a redemocratização, dez dos 31 ministros nomeados para o STF assumiram o cargo com menos de 50 anos. Atualmente, seis dos dez integrantes da Corte fazem parte desse grupo. Entre eles estão Cristiano Zanin (47), André Mendonça (48), Kassio Nunes Marques (48) e Alexandre de Moraes (48).

Segundo o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rubens Glezer, a tendência amplia o horizonte político dos indicados. “Um ministro pode permanecer 25 ou 30 anos na Corte, o que equivale a três mandatos de senador. Isso exige maior responsabilidade política na escolha e impõe a necessidade de regras de quarentena mais rigorosas após a saída do tribunal”, afirmou.

Longevidade e responsabilidade política

A juventude dos indicados, embora traga vigor e continuidade, também impõe desafios. Glezer destaca que quanto mais jovem o nome, menor o histórico profissional disponível para avaliação. “É preciso ter muita confiança na capacidade e integridade do indicado. Mas a ironia é que, quanto mais nova a pessoa, menos biografia há para sustentar essa confiança”, ponderou.

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Lula já demonstrou inclinação por perfis diversos. Em 2009, indicou Dias Toffoli, o mais jovem ministro da história recente, aos 41 anos. Em outros momentos, optou por nomes experientes, como Eros Grau (63) e Menezes Direito (64).

Com Barroso deixando o tribunal antes do tempo, a nova escolha de Lula pode consolidar uma geração de magistrados com trajetória longa e potencial de moldar o STF pelas próximas décadas.

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil