A caminhada ideal

Publicado em: 27/10/2009 às 00:00 | Atualizado em: 27/10/2009 às 00:00

Massilon de Medeiros Cursino*

Havia escolhido meu Bairro para ser minha pista de caminhada. Sairia de casa, no final do “Palmares”, e iria até o sinal do cruzamento das ruas Paraíba e Rio Branco. Já havia antecipadamente marcado no hodômetro de minha motocicleta que aquela distância era equivalente a um quilômetro. Um de ida e um de volta. Faria 2 quilômetros diários, ideal para iniciante.

O ziguezague entre a rua e a calçada acresce a distância, algo em torno de 100 metros. As calçadas foram invadidas por casas, umas confundem passeio com o pátio e o morador, com o espírito de propriedade, chega a se ofender caso o pedestre use aquilo que presume ser seu.

O que seria só uma caminhada se transforma em alternância de andar e correr, diante das ameaças dos cachorros criados na rua, sob o olhar do dono que só se manifesta quando a carrocinha pega alguns deles. De acordo com meu amigo soldador “Pimenta”, só na curvinha, perto da escola, há 4.542 cachorros. É claro que isso é um exagero, pois são muitos os cachorros, mas não tantos assim!

O pior é que na minha Rua tem um vizinho criando um pit bull. Por conta disso, meus filhos deixaram de fazer as compras no comércio da esquina e tudo sobrou pra mim. Uma caixa de fósforos que falte e lá vou eu!

Contudo, o que é interessante é que o vizinho que resolveu criar um pit bull não é tão fortão ou “forçoso”, já que geralmente os donos de pit bull são do tipo bombados, isso já foi provado cientificamente. Há estudiosos da psicologia que levantaram teses de mestrado e doutoramento sobre o assunto: “ele é um cão que se molda ao seu dono”. No caso de meu vizinho, ele é uma exceção à regra, porém tirou o lazer de meus filhos passearem de bicicleta pela rua e até de fazerem pequenos mandados.

Retorno da caminhada indicada para o stress, para o condicionamento físico e para o coração, mormente mais estressado do que saí. Pior ainda foi avistar o portão da minha residência escancarado e minha cachorra dálmata “Pandora” na rua. E ela já assustou uns três transeuntes que passaram pelo local.

Para não acharem que estou ficando cafona ou chato, o jeito vai ser eu reduzir ainda mais o meu espaço: Vou limitar a fazer minha caminhada dentro de meu terreno e em volta da minha casa!

*Economista, Bacharel em Direito, Pós Graduado em Gestão Pública, membro da Academia Parintinense de Letras.

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