A cidade, o lixo

Publicado em: 18/05/2011 às 00:00 | Atualizado em: 18/05/2011 às 00:00

 

Ivânia Vieira*

Matéria publicada em A CRÍTICA, edição de ontem, mostra o efeito imediato de um dia sem o trabalho dos garis: uma cidade tomada pelo lixo, de todas as matizes. Serve como oportunidade para produzir reflexões e tomada de decisão pelo poder e público e pela sociedade.

O lixo produzido pelas cidades é objeto, hoje, de importância nas diferentes áreas: da saúde pública às artes, sem ignorar o forte componente de desenvolvimento cultural que carrega em si. A destinação do que é descartado pelos moradores, empresas, órgãos públicos, ONGs, enfim, por quem habita a cidade tornou-se tema em torno do qual são feitos inúmeros arranjos político-econômico-social.

O que se viu, por meio da matéria do jornal, é o quanto Manaus está longe de ter um programa eficaz no setor. Não apenas por parte das ações do poder público, mas também por parte da sociedade que ainda trilha o caminho do lavar as mãos ou “não é problema meu”.

Uma cidadania encolhida vai ajudar a reforçar ações paliativas no trato do lixo urbano.

Todos temos a ver com isso. Talvez, essa seja a lição mais difícil de ser apreendida. Há uma postura que deve ser coordenada e realizada pelo poder público, cuja tarefa de animar e incentivar é inerente, e, outra, dos cidadãos e cidadãs do lugar.

Já não basta fincar a placa “não pise na grama” – algumas vezes, como diz Rubem Alves, é bom pisar na grama – ou exigir que o carro passe e recolha o lixo, ensacado ou não. Mas é nele que as nossas reivindicações se esgotam.

Se esse dia sem gari servir para mergulhos mais profundos, pelo poder público e pela sociedade, para enxergar melhor a sujeira da superfície, então já teremos dado um passo à frente na construção de uma outra atitude. Caso contrário, vamos continuar por mais tempo espalhando lixo, tropeçando nele e transferindo responsabilidade. Essa conduta adoece tanto quanto a sujeira espalhada e o cheiro dela é pior do que o dos carros coletores, traduz conformismo e inércia.

*Jornalista e professora do Curso de Comunicação da Ufam.

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