As contas dos candidatos
Publicado em: 05/02/2009 às 00:00 | Atualizado em: 05/02/2009 às 00:00
Massilon de Medeiros Cursino*
Há momentos em que acho que a vida é uma grande encenação, um teatro. Uns fingem que representam, outros fingem que acreditam piamente na representação de uns.
Em política, por exemplo, não existe coisa mais excêntrica que prestação de contas de candidatos. Como se sabe, há dois grupos de candidatos, os candidatos modestos e os extravagantes. Estes últimos, apesar de exímios perdulários durante a campanha, após o pleito se apresentam como os mais simples dos parcimoniosos.
Na verdade, a coisa acontece mais ou menos assim: Durante a campanha os verdadeiramente modestos são atropelados pelo rolo compressor dos mais abonados, a começar pela qualidade do material de publicidade, indo até o número de cabos eleitorais que acompanham os candidatos nas caminhadas, nas carreatas, nas bandeiradas das esquinas ou que os aplaudem nos comícios. Cabo eleitoral mais exaltado chega a esgoelar e até brigar pelo seu candidato preferido, que lhe bonifica por semana ou por quinzena, conforme o acordo.
Quando da apresentação das contas junto ao tribunal eleitoral competente, os números aparecem irrisórios, quase a nível franciscano. O que não faltam, por parte dos que abusam do poder econômico são os discursos hipócritas que variam entre a humildade e a auto-exaltação, como se o carisma pessoal fosse o fator que tivesse falado mais alto para angariar os votos, ocultando-se os verdadeiros subterfúgios, os astronômicos valores das despesas eleitorais.
Dá pena e dó de alguns candidatos quando se conhece os valores oficiais por eles declarados. Pensa-se até que estão na vida pública por diletantismo e por satisfação em servir ao próximo.
Não, não vamos culpar os números, eles não mentem, já que a matemática é uma ciência exata. Quem mente, infelizmente, é o ser humano que gasta para “nos representar”!
* Economista, bacharel em Direito e membro da Academia Parintinense de Letras (APL).
