Crianças e sustentabilidade
Publicado em: 28/10/2009 às 00:00 | Atualizado em: 28/10/2009 às 00:00
Ivânia Vieira*
Nesses dias, algumas questões têm acelerado minhas inquietações quanto ao presente de centenas de crianças e o futuro incerto de tantos adultos. São, hoje, as crianças sem escola do Parque São Pedro, da Praia Dourada e da comunidade Tambor, para falar apenas de algumas dezenas delas. Criança fora da escola não é fato isolado. Ao contrário, expõe uma situação ampliada de abandono. Ao mesmo tempo, o Amazonas se apresenta ao mundo com um dos mais arrojados discursos em defesa da sustentabilidade. Não combina uma situação com a outra. São antagônicas.
O tempo sem escola é uma agressão à trajetória de vida desse universo de crianças. Junta-se a ela, a condição inóspita em que vivem. Não é a pobreza do Estado a geradora dessa realidade, mas a ausência de vontade política dos governos, a maioria deles mergulhada em escândalos de desvio de recursos públicos. Há também uma cultura de conveniência co-alimentada pelos demais poderes pouco incomodados pela nossa frágil cidadania.
DESABRIGADOS
No próximo ano, o mundo terá aproximadamente 50 milhões de ‘desabrigados ambientais’. A denominação, dada pela Organização das Nações Unidas (ONU), engloba as vítimas de tempestades, da degradação da terra, das queimadas, da redução da quantidade e da qualidade da água. Mulheres e crianças formam a grande massa de desabrigados, informa a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).
A Organização Mundial da Saúde (OMS), chama atenção para os 4 milhões de crianças, com idade abaixo de cinco anos, que morrem anualmente em consequência dos desequilíbrios ou acidentes ambientais. As causas citadas pela OMS são as mais diversas, dentre as quais a poluição do ar e da água, exposição a substâncias químicas, furacões e enchentes, que provocam envenenamento, diarréia, cólera e malária, infecções respiratórias e outras doenças. Esse é um quadro do mundo e está muito perto de nós, basta olhar as margens dos hospitais públicos, as ruas e a periferia desta cidade.
*Jornalista de A Crítica e professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.
