Pequenas Igrejas, Grandes Negócios
Publicado em: 01/02/2009 às 00:00 | Atualizado em: 01/02/2009 às 00:00
Massilon Medeiros Cursino*
No novo testamento há várias passagens em que Cristo enaltece a pobreza e condena a riqueza e a luxúria. O Senhor espera de seu povo um coração desprendido de coisas terrenas e perecíveis.
A começar pelo seu nascimento numa estrebaria, entre animais. Passando pela explicação, em Mateus, de que seria mais fácil passar um camelo por uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus. Ou em Lucas, contando a parábola do mau rico e do pobre Lázaro.
A Igreja que condena a riqueza é a mesma que adorna com ouro seus altares. Na idade média capitalizava recursos com a venda de indulgência. Infelizmente, essa prática ainda não foi abolida por completa e continua a contrariar ao novo Testamento, onde mostra um Jesus que expulsa os comerciantes e mercenários da porta do Templo.
Nem a exegese bíblica é inexorável. Para cada versículo da Bíblia, há uma interpretação diferente. Assim, alguns espertalhões aproveitam para explicar da forma mais conveniente financeiramente e utilizam-se dos ensinamentos do livro sagrado e da doutrina cristã tornando-a essencialmente lucrativa, aproveitando-se das atribulações e instabilidades que o mundo capitalista produz na sociedade, assim como das fraquezas espirituais que acometem as pessoas.
Atualmente, para cada dez canais de televisão, em média, três são de propriedade das igrejas ou de seus representantes eclesiásticos. Os canais mais sensacionalistas expõem cenas de exorcismos, pregam a riqueza e a felicidade como respostas ao bom mantenedor ou dizimista. Há igrejas que utilizam de débito automático, aceitam cartão de crédito e têm até tabela de preços por bênção. Um mercado voraz em que por trás da palavra e do nome de Cristo está dissimulado o interesse financeiro e ambicioso de um pequeno grupo que se locupleta.
Os escândalos vêm à tona constantemente, porém a capacidade de domínio da mente dos fiéis, a lavagem cerebral, é tamanha que as vítimas embaidas se negam a acreditar que muitos de seus líderes não passam de espertalhões e farsantes.
Como cristão, prefiro ter o cristianismo como a mais bela das doutrinas religiosas, que somente prega o amor, a caridade, a bondade e a paz entre os Homens. Essa história de pagar para ir pro céu não passa de uma forma de comercialização da fé.
Eis uma triste realidade: criar igreja virou uma atividade econômica altamente atrativa nos dias atuais, instrumento para amealhar altas cifras com o benefício de imunidade tributária das suas receitas e propriedades.
Como dizem as antigas carolas: “Isso é sinal dos tempos!”.
* Economista, bacharel em Direito e membro da Academia Parintinense de Letras (APL).
