Quando a alegria é triste
Publicado em: 07/11/2012 às 00:00 | Atualizado em: 07/11/2012 às 00:00
Ivânia Vieira*
Os debates sobre a economia verde são “tertúlias intelectuais”, comparou o cientista social Marcelo Seráfico. Para o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o assunto reivindica discutir uma outra sociedade; não a reposição e sim a transformação. “Quem são os inimigos da economia verde?” provoca o estudioso apontando uma estrutura na qual funcionam cada vez mais o que batizou de “tanques de pensadores”, espaço devidamente agendado pelo capital para atender determinadas demandas sem que aconteça posicionamento crítico sobre o modo de produção de riqueza e de dominação vigentes.
Seráfico, mais os professores Luiz Antonio Nascimento e Márcia Calderipe, da Ufam, e Tiago Paiva, da Prodam, atuaram em uma mesa, no dia 30 de outubro, que tratou do tema: economia verde/sustentabilidade/erradicação da pobreza. A iniciativa de reunir os estudiosos foi da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas (Sect-AM), na atividade ‘Café Científico’, dentro da 9ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.
O encontro produziu indicações importantes que poderão seguir adiante ou serem esquecidas. Luiz Antonio Nascimento lembrou dos temas mágicos que percorrem periodicamente os textos e falas nas sociedades, nas universidades, tais como democratização, socialismo, democracia e, de acordo com o professor, a questão da hora – desenvolvimento sustentável. Disse que 75% dos alimentos consumidos no País são produzidos por trabalhadores que estão em 20% do território nacional enquanto o agronegócio detém 70% das terras, muitas delas resultado da ação de grilagem.
“De que modernidade estamos falando?”, questiona Nascimento alertando que nesse modelo o que se consolida é a insustentabilidade da economia verde. A antropóloga Márcia Calderipe indicou a vulnerabilidade da academia que aceitou ficar a reboque de ideias frágeis como a do turismo sustentável. “O que é o turismo sustentável? A quem serve?” Para Calderipe, é preciso parar e olhar as intervenções urbanas, as populações transformadas em reféns.
Se as tertúlias, inclusive as intelectuais, provocam mais ressaca que mudanças de atitude, eis alguns elementos que podem enfrentar o mal-estar e colocar a ação na rua.
*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.
