Sim, é Woodstock!

Publicado em: 04/02/2009 às 00:00 | Atualizado em: 04/02/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

Os meios de comunicação no Brasil tentam, a cada ano, desqualificar o Fórum Social Mundial (FSM). A insistência nessa ação tem objetivos explícitos: negar a possibilidade de construção de outro mundo, reafirmando o atual e decadente modelo. “É o Woodstock da esquerda”, resumiu o âncora do ‘Jornal da Band’, Boris Casoi. Isso depois de a emissora de TV exibir ‘reportagem’ sobre o FSM, em Belém (PA), privilegiando danças e brincadeiras. Não foi a única. A maioria das emissoras de televisão do País seguiu o mesmo foco.

Essa pauta comum dos grupos mais poderosos de comunicação do País quando se trata do FSM é indicador à espera de reflexões profundas e, a partir delas, de fincar outras posições. Não é uma infeliz coincidência. Trata-se de uma decisão pela negação dessa manifestação planetária como força de pressão.

Dançar e brincar são partes importantes desse mundo FSM, não o todo. Entre as emergências de trabalhos, esta é uma tarefa a ser assumida pelos trabalhadores da/na comunicação e pela sociedade organizada. Mais de 2 mil atividades foram cadastradas para a 9ª edição do FSM, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro. Outras tantas aconteceram fora dos registros oficiais.

Gente de 144 países discutiu e posicionou-se sobre questões decisivas para a humanidade hoje, fez relatos de experiências, denúncias, protestos, ensaiou novas palavras de ordem, também brincou, dançou, plantou uma árvore, testou o tamanho da sua cidadania.

Documentos aprovados nas assembléias setoriais e referendados na assembléia das assembléias já estão sendo trabalhados em várias regiões do mundo e vão se confirmando, inicialmente, na série de manifestações globais que acontecerão a partir de março. Uma outra voz – construída por milhares de vozes – ganha corpo e ecoa. Os meios de comunicação vão tropeçar nela. A caminhada continua e se revitaliza além deles.

*Jornalista, professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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