Por Lúcio Carril*

 

Essa história de defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM) é conversa pra boi dormir. Ouço isto há décadas da boca de políticos amazonenses. Tudo muda, menos a mesma conversa fiada.

Na situação atual, o discurso se esvai como água na mão. Defender a Zona Franca de Manaus e defender o governo Bolsonaro é de uma incongruência inadmissível.

Não é possível compatibilizar duas coisas tão antagônicas. Bolsonaro já deixou clara sua intenção com a Amazônia, e não é boa. Zona franca não está na sua pauta e Paulo Guedes pode ficar à vontade para atender os interesses dos seus chefes maiores, onde estão inclusos grandes empresários do centro econômico do país.

É mentira quando um deputado ou senador diz que está defendendo a Zona Franca de Manaus e no mesmo dia vota em projetos econômicos do governo federal, se no macroprojeto há a destruição da Amazônia e a inviabilização do desenvolvimento sustentável da região. É conversa pra enganar trouxa.

Enquanto nossa bancada federal e empresários locais não sentarem com Bolsonaro e garantirem as prerrogativas legais da Zona Franca de Manaus em ações concretas, tirando o poder de mando e desmando de Paulo Guedes, o modelo estará sob forte ameaça e sem perspectiva de continuidade.

E tem que ter medidas reais, concretas, pois Bolsonaro não tem palavra.

 

*O autor é sociólogo e comunista

 

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Fotomontagem com imagens BNC Amazonas e de internet