Sessentei no rio da vida
Uma canção para Lúcio Carril: "Tenho filhas que são estrelas, uma mulher que é luar, amigos que o tempo não leva, porque nasceram pra brilhar".
Por Herberson Sonkha*
Publicado em: 03/11/2025 às 11:25 | Atualizado em: 03/11/2025 às 12:32
“Sessentei no rio da vida”
(Letra: Herberson Sonkha)
Sessentei…
E o tempo me ensinou a remar.
Quem não aprendeu com a enchente,
não sabe o valor do luar…
Corri nas margens do rio,
brinquei de sonhar com o mar,
briguei com o medo e o frio,
amei sem me resguardar.
Vi a fome lá na tapera,
ouvi o pranto do igarapé,
mas cresci com a fé sincera,
de quem vive e não se entrega.
Sessentei, mas o tempo não me leva!
Sou canoa firme, sou raiz na terra!
Sessentei, mas meu canto se renova,
feito o rio quando a chuva desce e lava!
Sessentei, mas a vida é correnteza —
me arrasta, me ensina, me faz natureza!
Errei feito peixe fora d’água,
mas voltei pra correnteza,
me lavei na chuva sagrada,
me curei na natureza.
Não sou santo nem sou dono,
sou homem de sentimento,
sou quem resiste e perdoa,
no balanço do tempo e do vento.
Sessentei, mas o tempo não me leva!
Sou canoa firme, sou raiz na terra!
Sessentei, mas meu canto se renova,
feito o rio quando a chuva desce e lava!
Sessentei, mas a vida é correnteza —
me arrasta, me ensina, me faz natureza!
Tenho filhas que são estrelas,
uma mulher que é luar,
amigos que o tempo não leva,
porque nasceram pra brilhar.
Sessentei na beira da mata,
me ajoelhei na lama e rezei:
“Obrigado, rio da vida,
pelos rumos que eu acertei!”
Sessentei, mas o tempo não me leva!
Sou canoa firme, sou raiz na terra!
Sessentei, mas meu canto se renova,
feito o rio quando a chuva desce e lava!
Sessentei… e sigo a remar…
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*O autor é intelectual marxista, compositor, poeta e pesquisador baiano, de Vitória da Conquista.
Foto: reprodução/rede social
