Cinco parlamentares do Amazonas já assinaram pedidos de CPI do banco Master
Parlamentares amazonenses aderem a pedidos de CPI e CPMI para apurar fraudes no Banco Master e proteger fundos previdenciários regionais.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 02/02/2026 às 18:37 | Atualizado em: 02/02/2026 às 18:37
Logo na abertura do ano legislativo, nesta segunda-feira (2 de fevereiro), um novo pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi apresentado à mesa diretora da Câmara dos Deputados para investigar os escândalos financeiros do banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
Desta vez, o pedido foi do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O requerimento reúne 201 assinaturas e mira negócios bilionários entre BRB (Banco de Brasília) e Banco Master.
No entanto, há mais dois pedidos de CPI e de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) – esta reunindo deputados e senadores – em tramitação nas mesas diretoras da Câmara e do Senado.
Assim, da bancada do Amazonas, cinco parlamentares já assinaram os pedidos de CPI: os deputados Amom Mandel (Cidadania), Alberto Neto (PL), Pauderney Avelino (União), Fausto Jr. (União) e o senador Plínio Valério (PSDB).
Mas, o novo pedido CPI tem como foco a negociação de cerca de R$ 12 bilhões em títulos e carteiras de crédito considerados sem lastro ou de qualidade duvidosa, adquiridos pelo Banco de Brasília (BRB) junto ao Banco Master. Segundo Rollemberg, as operações colocaram em risco recursos públicos do banco estatal do Distrito Federal.
“É fundamental investigar todos os laços e todas as conexões políticas que o Daniel Vorcaro construiu ao longo dos anos com governos estaduais, como o do Distrito Federal, e com os diversos poderes, o que permitiu que ele protagonizasse esse que é o maior escândalo financeiro da história do Brasil”, justificou Rollemberg.
Agora, o pedido aguarda despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para leitura em plenário e início do processo de instalação.
Outros pedidos
Além da iniciativa de Rollemberg, há outros pedidos de investigação em andamento no Congresso. No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirma ter reunido 42 assinaturas para a criação de uma CPI sobre o caso, acima do mínimo exigido de 27 apoios, embora a lista ainda não tenha sido divulgada. A decisão depende do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP).
Na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) articula um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que, segundo a oposição, já conta com 177 assinaturas de deputados e 28 de senadores.
Há ainda um segundo requerimento de CPMI, liderado pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS).
Manifestações dos amazonenses
O deputado Amom Mandel disse que assinou a CPI do Banco Master porque o Congresso não tem que ficar de braços cruzados quando há indícios de operações que podem afetar o sistema financeiro, envolver fundos, relações de influência suspeitas e decisões com impacto direto na vida do brasileiro.
“Por isso defendo a CPI como uma ferramenta de fiscalização necessária e urgente. Meu compromisso é com transparência, rastreabilidade e responsabilidade. Se está tudo certo, a apuração confirma e encerra o assunto. Se não está, a apuração expõe, aponta responsáveis e encaminha para quem tem que punir. Eu defendo abrir a caixa-preta, seguir o dinheiro e descobrir o papel de cada um nesse escândalo”, justificou Mandel.
Descalabro financeiro
Já o deputado Pauderney Avelino contou que subscreveu os pedidos de instalação da CPMI do Banco Master porque, segundo ele, é a maior fraude financeira da história do país.
Além disso, de acordo com o parlamentar, muitos dirigentes tinham recebido vários alertas sobre as operações sem lastro do Banco Master e, em uma ação política de sua autoria, apresentou requerimento de audiência pública com dirigentes do Banco Central e BRB, na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), tão logo o escândalo veio a público.
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““Esse escândalo vai tirar mais de um terço do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), muito acima do que era estimado, prejudicando o sistema financeiro brasileiro. Portanto, esse descalabro não poderá ficar impune. Precisamos saber o tamanho do rombo, fruto da ganância que lesou correntistas, aplicadores CDB e CDI, o FGC e as previdências, como a Amazonprev, do meu estado, que aplicou R$ 56 milhões no Master”, afirmou Pauderney Avelino.
Apuração rigorosa
Ainda no final de 2025, quem também anunciou assinatura de pedido de CMPI do Banco Master foi o deputado Fausto Júnior, vice-líder do União Brasil na Câmara dos Deputados.
De acordo com o parlamentar, antes mesmo da formalização do pedido da CPMI, ele já vinha defendendo a apuração rigorosa dos fatos no âmbito da Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Durante reunião da comissão, antes do recesso de dezembro, Fausto Jr. reforçou o pedido de realização de uma audiência pública sobre o caso.
“É preciso que haja uma investigação séria e comprometida para que possamos garantir que as pessoas que irão usufruir desses fundos de previdência não sejam prejudicadas e responsabilizar aqueles que tinham como objetivo financiar esse esquema, essa fraude do Banco Master”, afirmou. Portanto, assino com a convicção de que o Brasil precisa investigar com seriedade e transparência esse escândalo. É dever do Parlamento fiscalizar, apurar responsabilidades e apresentar respostas claras à sociedade”, completou o deputado.
Mira em ministro do STF
Um dos assinantes da CPI do senador Eduardo Girão, no Senado, Plínio Valério mira especificamente no ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli. Notícias veiculadas na imprensa dão conta de que o ministro teria algum envolvimento, ou suspeição por conta de negócios de familiares com o banco Master e família Vorcaro.
“Se estivéssemos em um país sério, o ministro Toffoli já teria sido afastado. O Senado não pode continuar omisso enquanto destroem a nossa corte suprema. Suprema não significa que seus indicados passageiros têm passe livre para rasgar a Constituição”, disse Plínio Valério entre as inúmeras declarações à imprensa e nas redes sociais.
Foto: divulgação
