EUA avaliam classificar PCC e CV como terroristas e tema preocupa o Brasil

Proposta do governo Trump pode entrar na pauta de encontro com Lula e gerar debate sobre soberania.

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Publicado em: 10/03/2026 às 10:08 | Atualizado em: 10/03/2026 às 10:09

A possibilidade de os Estados Unidos (EUA) classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais passou a preocupar o governo brasileiro.

A proposta vem sendo discutida pela administração do presidente Donald Trump e pode surgir nas conversas com o presidente Lula da Silva em um encontro previsto para ocorrer nos próximos meses, ainda sem data definida.

O governo norte-americano avalia a medida dentro de uma estratégia de combate ao narcotráfico na América Latina. Caso adotada, a classificação pode ampliar instrumentos legais para ações contra as facções e até abrir espaço para operações fora do território dos EUA.

O governo brasileiro, porém, vê a iniciativa com cautela. A avaliação é que organizações como PCC e CV não se enquadram na legislação brasileira sobre terrorismo, que exige motivação política, ideológica, religiosa ou xenófoba.

Para o especialista em relações internacionais Manuel Furriela, facções criminosas têm objetivos diferentes de grupos terroristas.

“Internacionalmente falando, a determinação de que certos grupos são terroristas depende também de requisitos como, por exemplo, de que esses grupos tenham viés político.”

Nos últimos dias, o tema entrou na agenda diplomática entre os dois países. O ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira discutiu o assunto por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Segundo analistas, a classificação das facções brasileiras deve aparecer nas conversas entre Lula e Trump, já que o combate ao crime organizado transnacional ganhou peso na agenda dos Estados Unidos.

Para o especialista em risco político Eduardo Galvão, o Brasil tende a defender uma abordagem baseada em cooperação internacional, e não em medidas unilaterais que possam afetar a soberania nacional.

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Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil