Lula lança ofensiva contra facções criminosas e mira Amazônia
Governo Federal investirá R$ 11,1 bilhões em plano de segurança focado na asfixia financeira e controle de fronteiras na Amazônia.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 12/05/2026 às 17:18 | Atualizado em: 12/05/2026 às 17:18
O governo federal lançou nesta terça-feira (12/5) o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”. E a Amazônia aparece como área estratégica dentro do novo plano federal.
Isso porque a região concentra algumas das principais rotas internacionais do narcotráfico, especialmente nas fronteiras com Colômbia, Peru e Venezuela. Além do avanço do contrabando de armas e da disputa entre facções criminosas por corredores fluviais.
Com anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pacote de segurança pública prevê investimentos de cerca de R$ 11,1 bilhões no combate às facções criminosas, ao tráfico de drogas, armas e à lavagem de dinheiro.
Na avaliação de especialistas em segurança pública, a Amazônia deve se tornar um dos principais laboratórios da política federal, justamente por reunir fronteiras extensas, baixa presença estatal em áreas isoladas e expansão recente das facções nacionais e internacionais.
Nesse contexto, o programa prevê ampliação das ações integradas de fiscalização de fronteiras, uso de embarcações, aeronaves, viaturas 4×4 e equipamentos de monitoramento para áreas de difícil acesso — medidas consideradas fundamentais para a realidade amazônica.
Eixos da proposta
A proposta é estruturada em quatro eixos centrais: asfixia financeira das facções, combate ao tráfico de armas, esclarecimento de homicídios e fortalecimento do sistema prisional.
O combate ao tráfico de armas será intensificado para reduzir o poder bélico das facções. Para isso, o governo prometer mobilizações nacionais da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (Renarme), rastreamento de armas desviadas, reforço tecnológico nas fronteiras e compra de embarcações, aeronaves e viaturas blindadas.
Segundo o governo, o objetivo é enfraquecer o poder econômico, territorial e operacional das organizações criminosas em todo o país.
“O crime organizado deixou de ser apenas uma quadrilha de rua. Hoje ele movimenta dinheiro, infiltra-se em empresas, no comércio, no sistema financeiro e tenta ocupar territórios onde o Estado deveria estar presente. O Brasil não vai permitir que facções criminosas continuem mandando em comunidades e fronteiras do nosso país”, disse Lula no lançamento do programa.
Inteligência e integração
O presidente destacou ainda que a estratégia não será apenas repressiva, mas também baseada em inteligência, integração entre instituições e rastreamento financeiro.
“Nós vamos enfrentar o crime organizado atacando aquilo que sustenta essas facções: o dinheiro, o tráfico de armas, a comunicação dentro dos presídios e a impunidade. O Estado brasileiro precisa mostrar força, inteligência e integração para recuperar os territórios dominados pelo medo e pela violência”, disse Lula.
Rastro da lavagem de dinheiro
O governo também anunciou reforço da integração entre Polícia Federal, Receita Federal, COAF, Banco Central e forças estaduais, especialmente para rastrear lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. Segundo a apresentação do programa, as facções passaram a infiltrar recursos em postos de combustíveis, fintechs, fundos de investimento e comércio formal.
“As facções cresceram porque se organizaram como verdadeiras multinacionais do crime. Por isso, o combate não pode ser isolado. Polícia Federal, Receita, inteligência financeira e estados precisam atuar juntos. Em pouco tempo, eles não serão donos de nenhum território brasileiro”, ressaltou o presidente da República.
Controle do sistema prisional
Outro foco da iniciativa é o sistema prisional. O plano prevê operações nacionais para retirada de celulares de presídios, uso massivo de drones e scanners, bloqueio de sinais e ampliação do controle sobre lideranças criminosas que continuam comandando ações de dentro das cadeias e reforço de segurança em 138 unidades prisionais.
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Par ajudar a esclarecer os homicídios e aumentar a solução de crimes violentos, o plano vai investir em kits de DNA e balística, modernização dos IML, ampliação da cadeia de custódia e integração ao Sistema Nacional de Análise Balística.
Investimento prometidos
Para executar o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, o governo federal pretende investir:
• R$ 11,1 bilhões na primeira fase do programa;
• R$ 1,065 bilhão do Orçamento Geral da União;
• R$ 10 bilhões em financiamentos via BNDES a estados e municípios.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
