Cassações no Amazonas expõem risco de ‘laranjal’ em nova eleição

Lentidão da Justiça em punir crimes e silêncio do tribunal sobre fiscalização no interior aumentam a vulnerabilidade do sistema contra fraudes de gênero

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 17/05/2026 às 11:17 | Atualizado em: 17/05/2026 às 11:17

Desde o pleito municipal de 2024, decisões da Justiça eleitoral têm exposto um cenário de fraudes sistêmicas à cota de gênero em prefeituras e câmaras municipais do interior do Amazonas.

As irregularidades resultaram na cassação de 19 vereadores, após a constatação de candidaturas femininas fictícias utilizadas por partidos para simular o cumprimento do percentual mínimo de 30% exigido por lei.

O volume de cassações atinge municípios como Manaquiri, Anori, Novo Aripuanã, Alvarães e Presidente Figueiredo.

Em geral, a Justiça anulou votos de chapas inteiras após identificar candidaturas sem atos de campanha, com votação inexpressiva, muitas vezes zerada, e ausência total de movimentação financeira.

Interior concentra cassações

O caso mais emblemático ocorreu em Manaquiri, onde seis dos 11 vereadores perderam o mandato por fraude em chapas do PSD e PL. Em Anori, cinco parlamentares do União Brasil foram cassados após uma candidata ter o registro indeferido por analfabetismo sem a devida substituição pela legenda, rompendo a proporção legal.

Outras irregularidades foram confirmadas em Caapiranga (Avante), Guajará (PL), Juruá (PP), Benjamin Constant (Podemos) e Eirunepé (Agir).

Em Benjamin Constant, chamou a atenção o caso de uma candidata que obteve apenas 2 votos, evidenciando que nem ela mesma votou em sua candidatura.

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Lentidão jurídica e risco de reincidência

O histórico recente de impunidade e a morosidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julgar casos de alta relevância, como os processos contra os governadores Cláudio Castro (RJ) e Antônio Denarium (RR), lançam sombras sobre a eficácia das punições no Amazonas.

A lentidão da Justiça eleitoral em consolidar decisões antes que os mandatos se encerrem cria um ambiente de “risco calculado” para os partidos, que podem repetir a estratégia de burlar as cotas acreditando na demora recursal.

partidovereadores cassados (nominais)situação da chapa
União Brasil5 (Anori)
PL4 (3 em Manaquiri + 1 em Presidente Figueiredo)Drap cassado em Guajará
PSD3 (Manaquiri)
Agir2 (Eirunepé)
Avante2 (Caapiranga)Drap cassado
PT2 (Alvarães)
MDB1 (Novo Aripuanã)
PPDrap cassado em Juruá
PodemosDrap cassado em Benjamin Constant

Silêncio institucional

Apesar do volume de fraudes, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) mantém um silêncio preocupante sobre o planejamento para o próximo pleito.

Questionada pela Redação do BNC Amazonas sobre medidas de análise prévia de candidaturas femininas e reforço de fiscalização no interior, a assessoria da corte não ofereceu resposta.

A omissão do tribunal em detalhar estratégias contra o “laranjal” feminino enfraquece o caráter pedagógico da norma e ignora a necessidade de uma vigilância proativa.

Sem uma estrutura de monitoramento em tempo real, a Justiça eleitoral limita-se a ser um órgão reativo, cujas decisões chegam tarde demais para restaurar a legitimidade democrática ferida na origem.

Foto: divulgação