Mulher: pacote de leis de Lula contempla projeto de Mandel
Proposta incorporada ao texto final contou com contribuição do deputado do Amazonas.
Publicado em: 10/04/2026 às 14:16 | Atualizado em: 10/04/2026 às 14:16
O governo federal sancionou nesta quinta-feira (9 de abril) um pacote de três leis voltadas ao combate à violência doméstica e ao aprimoramento da Lei Maria da Penha, incluindo a tipificação da violência vicária e do vicaricídio.
Entre as medidas, está a autorização para monitoração eletrônica de agressores como medida protetiva autônoma e a criação do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas.
No eixo mais duro do pacote, a lei 15.384/2026 passa a reconhecer a violência vicária como forma de violência de gênero e cria o tipo penal do vicaricídio no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, em regime fechado.
É quando o agressor mata filhos, parentes ou pessoas sob guarda com o objetivo de punir, controlar ou causar sofrimento à mulher no contexto de violência doméstica e familiar.
A sanção consolida no texto legal um fenômeno já observado em casos recentes e que vinha sendo apontado como lacuna na proteção às mulheres.
O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) foi o único parlamentar homem a atuar diretamente na costura do texto final aprovado em plenário, contribuindo para que a lei incorporasse o vicaricídio e a violência vicária no escopo protetivo da Lei Maria da Penha.
Durante a votação em plenário, houve debate e divergências sobre a redação e o alcance do projeto, e o texto foi retrabalhado no substitutivo aprovado depois que a relatora deputada Silvye Alves (União-GO) incorporou contribuições e apensados, incluindo o projeto de Mandel que insere a violência vicária e o vicaricídio no guarda-chuva da Lei Maria da Penha.
A atuação do deputado foi essencial para consolidar a redação que seguiu para sanção presidencial.
Sua atuação no tema, porém, não começou agora. Um relatório legislativo reúne iniciativas desde 2023, quando o deputado passou a cobrar informações e medidas do governo federal sobre o enfrentamento da violência contra a mulher, e seguiu com proposições e indicações voltadas a estrutura de acolhimento, prevenção e proteção.
Entre os registros estão requerimentos de informação ao Ministério da Justiça e ao então ministro Flávio Dino, além de medidas para fortalecer a rede no Amazonas.
O deputado federal destacou a mudança como um marco de responsabilização e afirma que sua atuação no tema é anterior ao pacote sancionado.
Ele é autor do projeto de lei 748/2026, que propôs tipificar e agravar a punição da violência vicária e foi apensado ao projeto 3.880/2024, texto que deu origem à lei sancionada.
Para o parlamentar, a sanção presidencial confirma uma agenda de enfrentamento contínuo à violência de gênero, que combina endurecimento penal em casos extremos, aprimoramento de medidas protetivas e atualização da legislação para lidar com novas dinâmicas da violência doméstica.
/divulgação
