Caprichoso exalta ícones no álbum 2026
As toadas são a trilha sonora das apresentações na arena do bumbódromo.
Por Dassuem Nogueira*
Publicado em: 30/04/2026 às 13:15 | Atualizado em: 30/04/2026 às 13:15
O boi Caprichoso lançou oficialmente o álbum 2026, intitulado “Brinquedo que Canta seu Chão”, no dia 18 de abril de 2026, em Parintins, durante um grande show realizado no Curral Zeca Xibelão.
O evento que marcou a primeira apresentação ao vivo das toadas da temporada azul e branca para o Festival de Parintins 2026, reuniu itens oficiais, artistas e torcedores.
As toadas são a trilha sonora das apresentações na arena do bumbódromo e permitem compreender um pouco do projeto de arena das associações folclóricas
Personagens históricos
O Caprichoso elegeu personagens de muito carinho da sua comunidade, como aquele que dá o primeiro toque de tambor da Marujada de Guerra. A toada “Surdão do Bacuri” (Bruce Bulcão, Pedro Neto, Bruno Oliveira) exalta o marujeiro mais antigo da orquestra percussiva azul e branca e guardião da memória marujeira.
A toada “Herdeiros de Xibelão” (Moisés Colares, Ralrison Nascimento, Marcela Canto) exalta Zeca Xibelão, admirado por confeccionar belíssimos e grandes cocares e possuir bailado marcante. Zeca Xibelão é, digamos, o Tuxaua ancestral do item 17 na competição. Tão marcante e fundacional que, a partir de 1992, passou a nomear o curral do Caprichoso em Parintins.
O chão Caprichoso
“Meu território Caprichoso” poderia muito bem ser a toada tema, pois, efetivamente, visibiliza o território do boi Caprichoso em Parintins, os bairros de Santa Clara, Palmares e Francesa.
Ao mesmo tempo, a toada desenha um território musical, pois tem como compositores Afrânio Gonçalves e, pelo pout pourri que segue da toada original, também assinam Carlos Paulain, Hélio Omar Conceição e Calçada da Fama.
A calçada da fama é um ponto de encontro localizado no bairro do Palmares, onde torcedores e brincantes da vizinhança se reúnem há décadas para viver e celebrar a temporada do Festival de Parintins.
Além disso, o padrão melódico remete a década de 1990, década campeã, com dois tricampeonatos. Marcante também pela expansão do território afetivo azul e branco para a capital, através das festas apoteóticas do Bar do Boi em Manaus.
Lá vem o boi
“Lá vem o boi” (Neil Armstrong, Alex Cavalcanti Júnior, Fabiano Neves, Wagner Alan Moreira) é uma toada com um tom retrô que chama atenção pela originalidade em meio a equação consagrada presente em parte do álbum.
A toada canta a sina do Caprichoso com uma personagem, quase sempre mal-vinda em eventos a céu aberto: a Chuva. Interessantemente, a Chuva parece gostar das festas do Caprichoso, talvez atraída pelo azul e branco, cores do céu.
Mas, ao invés de inibir, atiça a torcida que a recebe com festa até maior. É o que diz o verso “E se cair um pau d’água, a gente fica por cima, a gente vai tufar que nem xibé de farinha”.
O segundo refrão “Eu vou tacar um beijo na estrela do meu boi” promete um gracejo a quem se autointitular “estrela do Caprichoso” nesse festival.
Bom de ouvir
Duas toadas chamam atenção pela beleza de arranjo e voz, respectivamente. A introdução com guitarrada e saxofone de “Filhas de Mani” (Marcos Moura, Moisés Colares, Cláudia Helen, Ralrison Nascimento) é encantadora.
A voz potente de Paula Gomes em “Cardume de estrelas” (Ronaldo Barbosa, Ronaldo Barbosa Júnior, Rhelder Durães) nos faz sonhar com o dia em que teremos uma noite inteira cantada só por ela, em escala 2×1 com Patrick Araújo.
*A autora é antropóloga
Foto: reprodução/rede social
