Por Lúcio Carril*

 

O Judiciário brasileiro se fez monstro, mergulhou na pocilga do autoritarismo e emergiu cheio de bolhas putrefatas. Eis uma excrescência a contaminar o estado de direito já fragilizado por um Executivo vergonhoso e um Legislativo tomado por vermes gosmentos.

Trata-se de um quadro abjeto, nauseabundo, a espalhar odores insuportáveis.

Ao se instrumentalizar da censura para proteger os seus, o STF sucumbe definitivamente aos maus hábitos do golpe e do vilipêndio às normas que regem o regime democrático.

Não é com mordaça que se limpa o nome, mas com transparência e licitude. O ministro Tofolli, presidente da corte, tem que se explicar à nação ou entregar seu pulso à “pulseira do Roberto Carlos” (alegoria usada por um amigo para se referir a algema).

O Judiciário brasileiro não pode continuar com cheiro de podre, como se o olfato do povo tivesse sido roubado pela ganância da Globo e do Edir Macedo, o novo embaixador do presidente modorrento. Um dia o oxigênio invade o cérebro de todos e a casa cai.

São anos de escrotice com o povo, seja pela falta de eficiência e eficácia, seja pelos abusos contra o bom senso, expressos cinicamente por uma estrutura luxuosa, com mordomias que atentam contra a realidade dos mortais.

Ora, é tempo de entender que até mesmo os deuses precisam dar bom exemplo, para não se tornarem simples crápulas oportunistas.

 

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*O autor é sociólogo e comunista

 

Ilustração: Caio Borges/Reprodução do site dissenso.org