Estudantes, professores e representantes dos povos indígenas de Manaus se uniram às manifestações nacionais contra a política educacional do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Os alvos foram o contigenciamento de verbas anunciados pelo Ministério da Educação (MEC) e o programa Future-se, que propõe diminuir a participação do Estado na manutenção das universidades e institutos federais, e permitir que Organizações Sociais (OSs) compartilhem a gestão das universidades e contratem professores sem concurso público.

O protesto ocorreu durante toda a tarde desta terça-feira, dia 13, no centro da capital. Uma passeata com centenas de pessoas saiu da Praça da Saudade, e seguiu pelas avenidas Epaminondas e Eduardo Ribeiro, sendo concluída na Praça do Congresso, por volta das 18h.

No Brasil, segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), houve atos em 204 cidades, em praças, campus universitários e nas ruas. A entidade estima que os protestos tenham reunido cerca de 900 mil pessoas.

 

Efeitos

O professor de sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Fernando, disse que o contigenciamento de verbas do governo federal começa a afetar o funcionamento da instituição. 

“O governo não atingiu o salário dos professores, servidores e técnicos. Porém,  todas as outras atividades estão comprometidas. Laboratórios de pesquisa, coisas básicas como manutenção de limpeza e banheiro, bolsas de pesquisa da graduação a pós-graduação. Por exemplo, eu tive quatro estudantes de iniciação científica que normalmente têm bolsas. Dessa vez, só dois têm bolsa, os outros dois têm que fazer pesquisa como voluntário. Você pensa nisso numa escala nacional? É um corte muito profundo”, reclamou.

 

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O movimento indígena também apoiou o movimento de estudantes e professores.

“Quem ataca a educação, ataca a soberania de um país. Os povos indígenas não pensam diferentes e nesse sentido caminha junto com os professores pra dizer isso ao governo federal”, disse Yura Ní-Nawavo Marubo, vice-diretor do Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia).

Segundo os organizadores, nenhum político participou do movimento.

 

Foto: BNC Amazonas