Lula inclui hidrovia do rio Madeira no programa de desestatização

Único elo fluvial do Amazonas com o Brasil, Madeira será concedido à iniciativa privada em programa de privatização de hidrovias

Comboio soja Amazônia

Da Redação do BNC Amazonas 

Publicado em: 05/09/2025 às 08:06 | Atualizado em: 05/09/2025 às 08:19

O presidente Lula da Silva assinou no final de agosto o decreto 12.600, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. A medida abre caminho para leilões bilionários que entregarão a operação desses corredores logísticos à iniciativa privada.

No caso do rio Madeira, o impacto é direto para o Amazonas: com 1.075 quilômetros de extensão entre Porto Velho (RO) e a foz no estado, ele é o único canal de ligação do Amazonas com o restante do Brasil, permitindo o escoamento de mercadorias da Zona Franca de Manaus (ZFM) e a entrada de insumos vindos do Sul e Sudeste.

O corredor também integra o Arco Norte, rota que encurta em até 30% a distância até mercados internacionais e que, segundo o governo, deve ganhar protagonismo com a entrada de operadores privados, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a presença brasileira no comércio exterior.

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Madeira e a ZFM

– Função estratégica: única via fluvial que liga o Amazonas ao restante do Brasil.

– Fluxo econômico: Escoa produtos industriais da Zona Franca de Manaus e garante o abastecimento de insumos.

– Risco apontado por críticos: concessão pode priorizar o agronegócio e marginalizar demandas da indústria e comunidades locais.

Paralelo com a polêmica da BR-319

A decisão de privatizar o rio Madeira remete à polêmica pavimentação da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho por terra e que enfrenta resistência de ambientalistas e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Enquanto defensores da pavimentação argumentam que a obra reduziria custos logísticos e integraria a Amazônia ao restante do país, críticos apontam riscos de explosão de desmatamento e ocupação irregular. 

Situação semelhante se desenha agora com o rio Madeira: para uns, a concessão promete eficiência e competitividade; para outros, significa abrir mão de um patrimônio estratégico, com impactos ambientais e sociais incalculáveis.

Dessa forma, como no caso da BR-319, o futuro do rio Madeira e sua importância para a região Norte serão definidos por um embate entre desenvolvimento e preservação.

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Características Madeira x BR-319

Rio

– Extensão 1.075 quilômetros (hidrovia entre Porto Velho e foz no Amazonas). 

– Modal fluvial (navegação de cargas e passageiros)

– Função logística Única via de ligação fluvial do Amazonas com o restante do país.

– Carga principal: produtos industriais da ZFM e insumos importados; abastecimento dos municípios com combustíveis, alimentos, medicamentos e demais bens de consumo.

– Investimento previsto: concessão via leilões bilionários do programa de desestatização.

– Riscos apontados: controle privado de corredor estratégico e impactos ambientais nas margens.

– Ponto de controvérsia: concessão ao capital privado e possível priorização do agronegócio.

Rodovia

– 885 quilômetros (trecho total, incluindo 400 quilômetros do chamado “trecho do meio”).

– Rodoviário (caminhões e transporte terrestre).

– Única ligação rodoviária de Manaus com Porto Velho e demais estados.

– Bens de consumo, alimentos e transporte de pessoas.

– Pavimentação e manutenção com orçamento federal e licenciamento ambiental.

– Desmatamento, grilagem e expansão irregular.

– Conflito entre desenvolvimento e preservação ambiental.

Leia reportagem de Valdemar Medeiros no site CPG.

Foto: Reprodução