Como surgem estradas fantasmas do tráfico e crimes ambientais na Amazônia

Abertura de vias irregulares em assentamentos e terras privadas consolida novos ciclos de desmatamento e bloqueia cursos d’água

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 20/04/2026 às 22:19 | Atualizado em: 20/04/2026 às 22:19

Levantamentos recentes sobre a malha rodoviária na Amazônia revelam que as chamadas “estradas fantasmas”, vias abertas sem licenciamento ambiental, estão em expansão com o suporte indireto de ações governamentais. 

No Acre, a média anual de novos trechos chegou a 540 km entre 1990 e 2025, impulsionando a degradação em áreas antes preservadas.

De acordo com os estudos, cerca de 35% dessas vias foram abertas em projetos de assentamento e 28% em propriedades privadas.

 Embora a extensão em territórios indígenas represente menos de 1% do total, pesquisadores alertam que o impacto nessas áreas é severo e compromete a segurança das comunidades locais.

Impactos hídricos e ambientais

A construção dessas estradas ocorre à margem das normas técnicas, resultando no bloqueio de cursos d’água. 

Esse processo cria pequenas represas que alteram o habitat aquático e geram danos cumulativos em toda a bacia hidrográfica, comprometendo a fauna e a flora dos rios amazônicos.

 Além do dano direto aos recursos hídricos, essas redes irregulares funcionam como vetores de desmatamento, facilitando o acesso de invasores ao interior da floresta. 

Cidades como Sena Madureira e Feijó foram identificadas como pontos críticos de expansão dessa infraestrutura informal.

⁠”As estradas fantasmas consolidam a degradação ao permitir que o desmate avance sobre áreas removas sem qualquer fiscalização estatal eficiente”.

Gestão e fiscalização

O Governo do Acre manifestou que os órgãos estaduais atuam sob critérios técnicos e que aberturas irregulares são alvos de apuração. 

No entanto, o avanço da malha viária informal levanta discussões sobre o uso de recursos públicos e emendas parlamentares em projetos que, na prática, fomentam a ilegalidade.

O cenário exige um controle mais rígido sobre a infraestrutura na Amazônia para evitar que a conectividade regional seja utilizada como ferramenta de destruição ambiental. 

O monitoramento por satélite e a integração de dados fundiários são apontados como caminhos para conter o avanço das estradas fantasmas.

Leia a reportagem completa na Folha de S.Paulo.

Foto: Orlando K Junior/divulgação