Feminicidio em quartel da PM em Manaus é julgado 10 anos depois
Cinco policiais militares do Amazonas vão a júri acusados de manipular a cena e acobertar crime.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/09/2025 às 09:55 | Atualizado em: 29/09/2025 às 09:57
O julgamento de cinco policiais militares acusados pelo homicídio qualificado da soldado Deusiane da Silva Pinheiro, ocorrido em 2015, foi marcado hoje, segunda-feira, 29 de setembro, em Manaus.
A informação foi confirmada pela deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos), procuradora especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).
A parlamentar destacou o histórico de mais de uma década sem justiça, ressaltou o sofrimento da família da vítima e reforçou a importância da condenação do principal suspeito e de seus cúmplices.
“Dia 29 vai ser finalmente realizada a audiência no Tribunal do Júri, um júri especial militar, formado por militares. Pasmem: são militares que julgam militares que assassinaram uma mulher e isso é revoltante, mas eu ainda acredito na justiça”.

Entenda o caso
Deusiane tinha 26 anos quando foi encontrada morta, em 1º de abril de 2015, com uma perfuração de arma de fogo nas dependências da base flutuante do Batalhão Ambiental da PM, no Tarumã, zona oeste de Manaus.
A versão inicial apresentada pelos colegas de farda apontava suicídio. No entanto, familiares denunciaram perseguições que a policial sofria e passaram a defender a tese de feminicídio.
A mãe, Antônia Assunção, tornou-se símbolo da luta contra a violência contra a mulher no Amazonas, insistindo que houve manipulação da cena do crime para acobertar o autor.
A denúncia do MP-AM
Em julho de 2017, o MP-AM denunciou cinco policiais militares pelo crime:
- • Cabo PM Elson dos Santos Brito – apontado como autor do disparo.
- • Cabos Jairo Oliveira Gomes, Cosme Moura Souza e Narcízio Guimarães Neto – denunciados por falso testemunho e conivência.
- • Soldado Júlio Henrique da Silva Gama – também denunciado por falso testemunho.
Segundo o promotor Edinaldo Aquino Medeiros, Elson matou Deusiane, trocou o ferrolho de sua arma com outra para simular suicídio e contou com o apoio dos colegas para sustentar a versão.
Laudos periciais e registros do armeiro comprovaram a troca e a manipulação da cena do crime.
A investigação apontou ainda que Deusiane mantinha um relacionamento conturbado com Elson, marcado por ciúmes e pressão após o militar retomar contato com a ex-companheira.
Testemunhas relataram que a vítima exigia uma definição para o triângulo amoroso e acabou sendo assassinada.
Ação da Procuradoria da Mulher
O processo tramita há mais de 10 anos na Justiça militar do Amazonas. Desde 2015, a deputada Alessandra Campelo acompanha o caso e garante suporte jurídico, social e psicológico à família por meio da Procuradoria da Mulher da ALE-AM.
Para a parlamentar, o julgamento desta segunda-feira é decisivo não apenas para a memória de Deusiane, mas também para afirmar que a violência contra a mulher não pode ser acobertada dentro das instituições de segurança.
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Foto: Alberto César Araújo/ALE-AM
