A Folha de S.Paulo escalou o repórter Fabiano Maisonnave para viajar a Manaus e escrever que pavimentar a BR-319 (Manaus-Porto Velho) pode representar forte impacto ambiental na “metade sobrevivente” da Amazônia brasileira.

Pelos cálculos da Folha, “o alcance da influência da BR-319 seria equivalente às áreas da Alemanha e da Holanda juntas, de acordo com um estudo do Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia)”.

A reportagem sugere, a partir de uma comunidade do estado do Amazonas à margem da estrada de barro, que a pavimentação poderia atrair mazelas como desmatamento e extração ilegal de madeira em grande escala, roubo de terras e outras atividades de preparação da terra para a agricultura.

“A diferença é que a [comunidade] Realidade fica na margem da rodovia interestadual BR-319, uma estrada que antes pavimentada, poderia espalhar esse mesmo padrão caótico de ocupação para uma área de floresta tropical maior que a da Alemanha”.

A rodovia de quase 900 quilômetros de extensão, dos quais mais de 400 não têm pavimentação, no trecho médio, é o único meio de ligação de Manaus com o restante do país, pela capital de Rondônia.

 

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Meio ambiente é barreira

E há mais de duas décadas que questões ambientais impedem que licenças sejam autorizadas para o asfaltamento desse trecho.

O episódio que vai completar um ano em outubro, quando garimpeiros queimaram imóveis de órgãos do governo no município de Humaitá, no Amazonas, é citado como um exemplo a explicar a ausência dos governos no entorno da BR-319.

“A BR-319 é ​​uma enorme ameaça para a floresta tropical porque abre a metade sobrevivente da Amazônia brasileira para madeireiros ilegais”, diz o ecologista americano Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus.

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Foto: Fernanda Meirelles/Idesam (reprodução)