O peso da eleição colombiana no freio à extrema direita
O pleito trata-se de um confronto direto que definirá se o continente vai fortalecer um bloco de resistência progressista ou abrir caminho para o projeto autoritário e neoliberal da extrema direita
Por Aguinaldo Rodrigues
Publicado em: 31/05/2026 às 10:46 | Atualizado em: 31/05/2026 às 10:46
Neste domingo (31 de maio), mais de 40 milhões de eleitores vão às urnas para escolher o novo presidente colombiano, em um pleito cuja relevância geopolítica ultrapassa as fronteiras nacionais.
A disputa polarizada entre o governista Iván Cepeda e o candidato radical Abelardo de La Espriela tornou-se o principal laboratório político da América Latina, medindo a capacidade da esquerda de resistir a um projeto de dominação da extrema direita.
O atual presidente, Gustavo Petro, rompeu a longa tradição de governos dominados por oligarquias conservadoras no país andino. Ao lado dos presidentes Lula da Silva, do Brasil, e Cláudia Sheinbaum, do México, Petro ajudou a consolidar um bloco de resistência ao avanço de líderes como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Javier Milei e Nayib Bukele.
Para a esquerda, manter o país é estratégico. O senador Iván Cepeda carrega a bandeira da continuidade das reformas sociais e da manutenção histórica do processo de paz com ex-guerrilhas, como as Farc.
Do outro lado, o avanço na reta final de Abelardo de La Espriela unifica a direita em torno de um discurso punitivista, de endurecimento militar e cortes de impostos. Com uma estética política agressiva, La Espriela mimetiza a postura de Bukele e Milei.
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Posição estratégica
A geografia ajuda a explicar o peso desse embate. A nação é a única da América do Sul banhada pelos oceanos Atlântico e Pacífico, além de dividir uma extensa e sensível fronteira amazônica com o território brasileiro.
Historicamente usada como principal base de influência dos Estados Unidos na região, Bogotá vem buscando uma postura de maior autonomia.
Um eventual retorno da extrema direita ao poder alinharia o país novamente aos interesses norte-americanos, isolando o Brasil e enfraquecendo a integração regional.
O resultado das urnas ditará o ritmo da política latino-americana nos próximos anos.
Uma vitória governista consolida o bloco progressista, enquanto um triunfo ultraconservador daria fôlego à extrema direita para tentar retomar a hegemonia continental.
O autor é jornalista.
Foto: gerada por IA
