Alcolumbre equipara pressão pela 6×1 a ataques de Bolsonaro
Presidente do Senado evita fixar data para votação da proposta e afirma que cobranças para pautar o tema reproduzem a lógica de intimidação institucional que antes era atribuída a Bolsonaro.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 01/07/2026 às 09:27 | Atualizado em: 01/07/2026 às 09:31
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), transformou a discussão sobre o fim da escala 6×1 em um embate institucional ao afirmar que as cobranças para pautar a proposta reproduzem a mesma lógica de ataques às instituições democráticas que marcaram os discursos de Bolsonaro.
Em pronunciamento no plenário nesta terça-feira (30 de junho), Alcolumbre reagiu às críticas por ainda não estabelecer um calendário para a tramitação da proposta que reduz a jornada de trabalho.
Sem citar nomes, afirmou que autoridades utilizam a PEC como instrumento de pressão política e eleitoral.
Segundo o senador, defender manifestações contra a presidência do Senado para acelerar a votação representa uma tentativa de constrangimento incompatível com o processo legislativo.
“Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6×1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso”, afirmou.
Alcolumbre também criticou o argumento de que parlamentares estariam se colocando contra os trabalhadores ao não votar imediatamente a proposta.
“Não seria um artifício de dizer para o outro: ‘Estou te ameaçando, porque se você não votar, você vai ficar contra 37 milhões de trabalhadores que querem um dia a mais de descanso?'”.
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Comparação com Bolsonaro
O trecho de maior repercussão ocorreu quando Alcolumbre afirmou que autoridades que antes criticavam ataques às instituições agora utilizam métodos semelhantes para pressionar o Senado.
Sem mencionar nomes, disse que manifestações com palavras de ordem como “Fora Alcolumbre” representam uma tentativa de constranger a presidência da casa para impor uma agenda legislativa.
“O problema é que está na boca da autoridade dizendo que tem que pressionar o presidente Davi Alcolumbre. Isso é uma ameaça em cima de um trio elétrico.”
Na avaliação do presidente do Senado, a tentativa de transformar a votação da PEC em instrumento de disputa eleitoral desvirtua o debate sobre as relações de trabalho e transfere para o Legislativo uma pressão incompatível com sua autonomia institucional.
Mérito continua sem data
Apesar da defesa enfática da independência do Senado, Alcolumbre não anunciou qualquer prazo para a análise da PEC que extingue a escala 6×1.
A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados, ainda depende da definição de relatoria e da tramitação nas comissões antes de seguir ao plenário.
Enquanto trabalhadores, centrais sindicais e parte dos parlamentares defendem uma votação ainda neste ano, representantes do setor produtivo pedem maior debate sobre os impactos econômicos da mudança.
Na prática, o pronunciamento manteve inalterado o cenário da proposta: a PEC continua sem calendário para votação no Senado, embora tenha se tornado uma das principais pautas trabalhistas do país às vésperas das eleições de 2026.
Equilíbrio ou imobilismo?
Ao justificar sua postura, Alcolumbre afirmou que tem sido criticado simultaneamente por governo e oposição justamente por buscar equilíbrio na condução da casa.
“Assim que é bom. Quando você tenta fazer o certo, naturalmente você vai ser atacado pelos dois lados.”
O senador acrescentou que poderia escolher apenas uma agenda política, mas considera que isso seria incompatível com a função de presidente do Senado.
“Talvez fosse muito mais cômodo eu escolher um lado. Tratar só da agenda da esquerda. Ou escolher o outro lado e tratar só da agenda da direita”.
Segundo Alcolumbre, continuará exercendo a presidência do Senado sem se submeter a pressões políticas, independentemente da origem das críticas.
Linha do tempo da PEC do fim da escala 6×1
Aprovação na Câmara – A proposta que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1 foi aprovada pelos deputados após intenso debate entre trabalhadores, centrais sindicais e representantes do setor produtivo.
Chegada ao Senado – Com a aprovação na Câmara, a PEC passou a depender da definição de relator e da tramitação nas comissões do Senado antes de seguir ao plenário.
Pressão por votação – Nas últimas semanas, movimentos sociais, sindicatos e parlamentares intensificaram a cobrança para que o Senado vote a matéria ainda antes das eleições de 2026, alegando que a proposta atende milhões de trabalhadores.
Resistência de Alcolumbre – Davi Alcolumbre passou a defender que o calendário legislativo não seja definido por pressão política ou eleitoral, recusando-se a estabelecer prazo para a apreciação da proposta.
Discurso que ampliou o debate – Ao reagir às cobranças, Alcolumbre afirmou que a pressão pública sobre a presidência do Senado reproduz práticas de intimidação institucional que, segundo ele, eram criticadas quando direcionadas por Bolsonaro contra outros poderes. Com isso, a discussão deixou de se concentrar apenas no mérito da PEC e passou a envolver também os limites da pressão política sobre o Legislativo.
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Foto: Carlos Moura/Agência Senado
