Amazonas é segundo no país na desigualdade salarial entre população e deputados 

Índice nacional mostra alto descolamento também no que ganham governador, prefeito e vereadores

Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 19/10/2025 às 20:29 | Atualizado em: 19/10/2025 às 20:34

O Amazonas é o segundo estado do país no ranking da maior desigualdade entre os salários de seus representantes e a renda da população. Os dados são do Índice de Disparidade Salarial (IDS) 2025, divulgado pela associação civil Livres em agosto, que comparou a remuneração de autoridades públicas com a renda domiciliar per capita da população local.

O estudo incluiu uma comparação internacional com 17 países, entre democracias consolidadas e nações de renda semelhante à brasileira. Essa referência global, segundo o Livres, funciona como “grupo de controle ampliado”.

No topo da disparidade

De acordo com o estudo, o Legislativo amazonense tem o segundo maior índice do país, com IDS de 28,1 para os deputados estaduais, atrás apenas do Maranhão (31,1).

O relatório destaca que “os maiores índices estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste”.

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O poder Executivo estadual segue o mesmo padrão, com o governador do Amazonas apresentando IDS de 27,5, o quarto maior do país, atrás apenas do Acre, Pernambuco e Sergipe. 

O relatório reforçou que, quanto menor a renda da população, maior o descompasso entre ela e o chefe do Executivo.

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No nível federal, a disparidade aumenta. Com o salário nacional fixo de R$ 44.008,52, os deputados federais do Amazonas atingiram IDS de 35,5, um dos maiores do país. É o terceiro, superado só por Maranhão e Ceará.

“A padronização dos vencimentos amplia desigualdades e distorce a representação federativa”, aponta o ranking.

Isso significa que, na prática, o modelo brasileiro de remuneração para cargos federais ignora as diferenças econômicas regionais, resultando em privilégios desproporcionais.

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Desigualdade repetida com prefeito e vereadores 

Na capital Manaus, o contraste é menor, mas ainda expressivo. O prefeito apresentou IDS de 12,4; e os vereadores, 11,9.

Só Aracaju e Porto Velho têm desigualdade maior, no comparativo de prefeitos, e Rio Branco e Salvador, no caso dos vereadores.

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Além disso, o estudo também focou no Judiciário, onde o quadro é semelhante. Os juízes no estado registraram IDS de 41,2, índice que reforça o distanciamento entre a elite estatal e a população.

“O levantamento revela que a magistratura é o pior caso de disparidade entre todas as autoridades — não apenas no Brasil, mas em comparação com juízes de cortes superiores em países desenvolvidos”.

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Perspectiva nacional

O levantamento utilizou dados da Pnad Contínua (IBGE), além de portais de transparência e relatórios do CNJ, adotando o ano-base majoritário de 2023/2024 com a correção da inflação acumulada para assegurar consistência temporal.

No panorama geral, o Brasil apresentou IDS de 21,27 no Executivo federal, 108% acima da média global (10,20).

“Isso demonstra que a alta remuneração da elite pública não é consequência apenas da baixa renda nacional, mas de um modelo de remuneração desconectado da realidade social”, afirmou o relatório.

Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica