No Dia do Brasil, bolsonaristas trocam verde-amarelo por bandeira estrangeira
Bolsonaristas usam bandeira dos EUA em atos de 7 de Setembro, exaltam Trump e causam críticas por desprezo ao verde-amarelo.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/09/2025 às 20:56 | Atualizado em: 07/09/2025 às 20:56
O Dia da Independência do Brasil, celebrado neste 7 de setembro, trouxe uma cena que causou estranheza e indignação: em manifestações bolsonaristas, especialmente em Brasília e nas capitais, a bandeira dos Estados Unidos apareceu em massa, dividindo ou suplantando o verde-amarelo.
Para críticos, a escolha afronta o simbolismo da data e enfraquece o orgulho nacional, transformando o momento de afirmação da soberania em vitrine para outro país.
Contradição exposta
> “É como se no aniversário do Brasil, a festa fosse decorada com as cores de outra nação”
Bolsonaro e a marca da subserviência
O uso da bandeira norte-americana por apoiadores de Bolsonaro não é novidade, mas o contexto amplifica o choque.
A data, carregada de significado histórico para o povo brasileiro, remete à ruptura com a dominação externa e, paradoxalmente, foi palco de exibição de um símbolo estrangeiro.
Especialistas em simbologia política lembram que, em democracias consolidadas, a bandeira nacional é soberana em manifestações internas, salvo em gestos de solidariedade ou cooperação internacional.
No caso brasileiro, a mensagem que chega é de alinhamento ideológico e cultural com os EUA.
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Do verde-amarelo ao vermelho-azul
O contraste visual dos atos bolsonaristas em 2025 salta aos olhos.
Antes, predominava a estética verde-amarela, apropriada pelo movimento como identidade política.
Agora, o vermelho, o azul e o branco, cores da bandeira dos EUA, disputam protagonismo, alterando o imaginário visual do 7 de Setembro.
Essa transição estética reforça a narrativa de que o bolsonarismo se ancora mais em referências externas do que na valorização da própria identidade brasileira.
Antes do bolsonarismo
(7 de setembro pré-2018):
* Ruas tomadas por verde-amarelo.
* Foco em desfiles cívicos e militares.
* Pouca ou nenhuma presença de símbolos estrangeiros.
No bolsonarismo
(7 de setembro 2019–2025):
* Bandeiras dos EUA em destaque, às vezes maiores que as do Brasil.
* Palcos e camisas com símbolos norte-americanos.
* Narrativa de “aliança ideológica” com o conservadorismo dos EUA.
Significado da mensagem
> “Não é patriotismo, é importação ideológica”, resume um analista político.
A exibição maciça da bandeira norte-americana cumpre dois papéis para o bolsonarismo: reafirma o vínculo de Bolsonaro com Donald Trump e sinaliza ao núcleo duro que o projeto político está alinhado ao ideário conservador norte-americano.
Mas, em pleno Dia da Independência, o gesto soa como um recado de dependência simbólica, e um enfraquecimento do amor-próprio da pátria.
Foto: reprodução
