CNI aponta 11 obras urgentes para destravar logística da indústria da ZFM

CNI defende BR-319, BR-174 e hidrovia do Madeira como vitais para reduzir custos logísticos e garantir competitividade da Zona Franca de Manaus.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas*

 

Publicado em: 15/10/2025 às 23:11 | Atualizado em: 15/10/2025 às 23:11

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou nesta quarta-feira (15 de outubro) o estudo “Panorama da infraestrutura – região Norte”, com um alerta direto ao governo federal: sem conexão logística efetiva, o polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM) perde competitividade e esbarra em custos operacionais que afastam investimentos.

O documento aponta 11 obras prioritárias para o Amazonas, entre elas o avanço do licenciamento e das obras da BR-319, a recuperação da BR-174 e a concessão da hidrovia do rio Madeira, com dragagem, derrocagem, sinalização e batimetria permanentes para garantir navegabilidade plena ao longo do ano.

Segundo o estudo, 74% dos empresários industriais do Norte classificam a infraestrutura regional como regular, ruim ou péssima, o que gera atrasos de entrega, encarece o transporte de insumos e pressiona o custo final dos produtos fabricados no polo industrial da ZFM.

“Sem logística, a ZFM perde capacidade de reagir”

O presidente da CNI e Fieam (Federação da Indústria do Amazonas), Antônio Silva, reforçou que a defesa da Zona Franca de Manaus no cenário nacional, e até mesmo em disputas internacionais, como a investigação tarifária dos Estados Unidos, chamada de Seção 301), depende da garantia de fluxos logísticos reais e não apenas de incentivos fiscais.

“Estamos defendendo a indústria da Amazônia em todas as frentes, mas isso exige competitividade logística. Não basta ter incentivos fiscais se o custo de escoar, receber e entregar mercadorias é mais alto do que em qualquer outro polo do país. Sem infraestrutura, a ZFM perde capacidade de reagir e de manter empregos”.

Estradas x rios, a equação logística da ZFM

O estudo aponta que a ZFM precisa de uma estratégia logística integrada, que combine velocidade do modal terrestre com a capacidade de volume do modal fluvial.

  • • Rodovias como a BR-319 e BR-174 reduzem tempo de entrega e custo de distribuição regional, permitindo circulação de insumos e mercadorias com maior previsibilidade.
  • • A hidrovia do Madeira é apontada como o corredor de grande volume, capaz de transportar o equivalente a dezenas de carretas em comboios de balsas, com custo por tonelada menor, desde que haja dragagem contínua e estrutura portuária adequada.

Hoje, o modal fluvial leva vantagem no transporte de cargas pesadas e grandes volumes para exportação e entrada de insumos importados pela indústria, mas depende de condições de navegabilidade que ainda não são garantidas ao longo do ano.

Já o modal rodoviário poderia oferecer maior agilidade, mas encontra trechos críticos de erosão, atoleiros e interrupções frequentes, especialmente nos períodos de cheia e vazante.

Pressão sobre governo e bancada federais

A CNI enviará o estudo às bancadas do Amazonas e dos demais estados do Norte com pedido formal de inclusão das obras em cronograma orçamentário com execução real e fiscalização permanente, articulando ministérios dos Transportes e o da Indústria, a Suframa e setor produtivo regional.

Para a entidade, a Zona Franca de Manaus não pode depender apenas de debates tributários, enquanto permanece isolada por gargalos logísticos históricos.

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*Com informações da CNI.

Foto: CNI/divulgação