Deputado do Amazonas vê obstáculos para anistia a Bolsonaro no Congresso
Pauderney Avelino diz que não adianta a Câmara votar o projeto sem entendimento com o Senado.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 15/09/2025 às 15:39 | Atualizado em: 15/09/2025 às 15:39
Depois da condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado, cresce no parlamento o movimento de aliados a favor do projeto de anistia para livrar o ex-presidente da cadeia.
Contudo, o deputado Pauderney Avelino (União Brasil) diz haverá dificuldades para fazer com que essa proposta avance no Congresso.
“Com relação à anistia, tem de aguardar para ver qual é a proposta que, eventualmente, pode ser pautada para votação na Câmara e no Senado”, diz o deputado ao BNC Amazonas.
De acordo com ele, há um desentendimento entre a Câmara e o Senado que evita o avanço da proposta.
“Eu tenho visto que não só o presidente do Senado [Davi Alcolumbre – União-AP], como também o presidente da CCJ do Senado [Otto Alencar – PSD-BA], já disseram que não pautarão essa anistia ampla, geral e irrestrita. Então, não adianta a Câmara votar se o Senado não votar. Vai dar no mesmo. Ou seja, sem anistia”, avalia.
Desse modo, a proposta defendida no Senado evita um perdão a Bolsonaro e os militares de alta patente condenado junto com ele, mas aceita a redução de penas para crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Na Câmara, porém, a bancada bolsonarista está irredutível quanto a anistia envolvendo todos, inclusive tornando o ex-presidente elegível.
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E agora? Como fica o projeto de anistia?
Imposto de Renda
Mesmo com esse impasse, o deputado amazonense acredita que o projeto que isenta do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, além da redução proporcional para quem recebe até R$ 7,3 mil, será votado no Câmara.
“Acredito que será votado sim, porque esse projeto que isenta até R$ 5 mil reais e gradualmente reduz a tributação até quem ganha R$ 7,3, é difícil alguém votar contra esse projeto. Então, eu entendo que esse é um projeto prioritário, traz vantagens para a população como um todo, e acredito que sim, ele será votado”, prevê.
Desembarque
Pauderney também defendeu o desembarque da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e o Progressistas, da base do governo do presidente Lula da Silva.
De acordo com a nova federação, todos os “filiados às legendas devem renunciar a qualquer cargo ocupado no governo federal”.
A medida pode causar a saída do governo dos ministros do Turismo, Celso Sabino (União-PA), e do Esporte, André Fufuca (PP-MA), que insistem em permanecer no cargo.
“Então é melhor largar o governo de uma vez ou então entrar. Mas eu acho que nesse momento o ideal seria deixar o governo”, defende Pauderney.
O deputado diz que outro problema envolve os nomes indicados pelo presidente do Senado: os ministros Frederico Siqueira Filho (Comunicações) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional).
“Tem de ver o que vai acontecer, porque a decisão da direção do partido foi deixar o governo. Mas me parece que os ministros não entenderam dessa forma”, questiona.
Foto: divulgação
