Depois de quase falir com Bolsonaro, Fundo Amazônia volta investindo bilhões

Com aporte recorde e expansão de doadores, o Fundo Amazônia aprovou R$ 3,7 bilhões no último triênio para combater o desmatamento.

Fundo Amazônia está com metade de projetos atrasada

Publicado em: 27/01/2026 às 19:29 | Atualizado em: 27/01/2026 às 19:29

O Fundo Amazônia encerrou o ano de 2025 com o maior volume anual de sua história, consolidando-se como uma ferramenta central no combate ao desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável. Gerido pelo BNDES sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o fundo aprovou mais de R$ 2 bilhões em projetos apenas no último ano.

Desempenho Recorde (Triênio 2023–2025)

A atuação recente representa um salto operacional significativo:

Total aprovado no triênio: R$ 3,7 bilhões (56% de todo o volume apoiado desde a criação do fundo em 2008).

Alcance: Mais de 140 projetos aprovados, apoiando 650 instituições em 75% dos municípios da Amazônia Legal.

Beneficiários: Mais de 260 mil pessoas impactadas diretamente.

Expansão da Cooperação Internacional

Desde 2023, a base de doadores saltou de dois para nove países/entidades: Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Japão, Dinamarca, Irlanda e União Europeia. Foram firmados US$ 309 milhões em novos contratos, dos quais US$ 212 milhões já foram internalizados.

Para a ministra Marina Silva, essa confiança internacional é reflexo da redução de mais de 50% no desmatamento em 2025 (comparado a 2022), permitindo que os recursos cheguem a quem protege a floresta, como indígenas e comunidades tradicionais.

Frentes de Atuação e Resultados Práticos

1. Combate a Incêndios e Fortalecimento Institucional

Investimento em 30 bases operacionais, 500 veículos e 30 mil equipamentos.

Capacitação de 5 mil profissionais para brigadas e Corpos de Bombeiros.

Impacto: Redução de 75,8% nos incêndios na Amazônia e 93,3% no Pantanal (2017-2024).

2. Restauração e Produção Sustentável

Restaura Amazônia: R$ 450 milhões para recuperar áreas degradadas em 26 terras indígenas e 80 assentamentos.

Bioeconomia: R$ 595 milhões destinados a atividades sustentáveis, beneficiando 20 mil famílias e 60 organizações locais.

Governança e Estratégia

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a retomada permitiu acelerar a execução de projetos com rigor na governança. Uma mudança estrutural citada por Nabil Kadri, superintendente do BNDES, foi a inclusão direta dos povos indígenas na gestão e implementação dos recursos, criando um “cinturão de proteção” que hoje alcança a totalidade das terras indígenas da região.

17 Anos de História

Comemorando 17 anos em 2025, o Fundo Amazônia acumula um balanço histórico de:

R$ 5,5 bilhões em aprovações totais (mais de 130 projetos).

R$ 2,5 bilhões já desembolsados.

Reconhecimento como o maior modelo mundial de financiamento climático baseado em resultados (REDD+).

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Foto: divulgação