Greve dos ônibus acentua abismo entre Wilson Lima e David Almeida
Prefeito culpa governador por paralisação; Lima rebate e diz que transporte é dever da prefeitura.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/09/2025 às 09:39 | Atualizado em: 12/09/2025 às 09:39
A grave no transporte público de Manaus neste dia 11 de setembro, que parou o sistema que transporta 500 mil pessoas por dia, acentua o abismo que começou a se abrir em 2022, entre o governador Wilson Lima (União Brasil) e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).
Em vídeo, o prefeito responsabilizou o governador como causa da paralisação.
Segundo Almeida, Lima atrasou o pagamento do Passe Livre Estudantil. O programa é financiado pelo estado e pela prefeitura.
“No ano de 2022, nós firmamos um convênio com o Governo do Estado de R$ 120 milhões, que trata do passe livre estudantil. Só que agora, 2025, o Governo do Estado simplesmente não renovou o convênio conosco”.
O prefeito disse que não quer mais a parceria com o estado.
“A prefeitura também não quer mais a parceria com o governo porque foi descontinuado o convênio. Então, façam direto com o Sinetram [sindicato dos empresários do transporte] que fica até mais fácil essas tratativas. E o governo entrou na Justiça”.
Em resposta, o governador afirmou que não houve atraso no pagamento.
Confirme disse à imprensa, o governo buscou acordo com as empresas de ônibus, que teriam topado, mas que depois não cumpriu os termos. Dessa forma, afirmou, o governo passou a depositar a contrapartida do estado na Justiça.
Lima disse também que o estado não tem obrigação sobre o transporte público da cidade. É dever constitucional da prefeitura, segundo ele.
Ademais, afirmou que Almeida quer que ele pague o valor de uma passagem que o sistema não pratica: R$ 8.
A passagem de ônibus em Manaus é de R$ 5,00.
Por causa disso, o governador disse que o estado concorda em pagar o valor que o estudante paga: R$ 2,50.
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O abismo crescente
Lima e Almeida estiveram juntos nas eleições de 2022. Assim que acabou o pleito, os dois começaram a tomar rumos opostos.
Em 2024, o governador lançou Roberto Cidade (União Brasil) a prefeito de Manaus para enfrentar o prefeito que buscava a reeleição. Seu candidato parou no primeiro turno e Almeida foi à final para derrotar o também bolsonarista Alberto Neto (PL).
Fotomontagem: BNC Amazonas
