Inércia e silêncio institucional marcam a agressão à Ufam

Silêncio de órgãos acadêmicos, sindicatos e classe política sobre a investida de vereador do PL de Bolsonaro ao ICHL expõe fragilidade na defesa da autonomia acadêmica

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Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 06/05/2026 às 10:32 | Atualizado em: 06/05/2026 às 10:32

No dia seguinte à invasão do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) pelo vereador Ubirajara Rosses (PL) e seus seguranças, o cenário na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é de vácuo institucional.

Apesar das imagens que circulam nas redes sociais mostrando a intimidação contra docentes e alunos, o dia seguinte ao episódio é marcado pela ausência de notas oficiais de repúdio por parte das entidades que compõem o ecossistema acadêmico e político do estado.

Ausência de reação

Até o momento, a reitoria da universidade não se manifestou formalmente sobre a violação do espaço de uma autarquia federal por um vereador de Manaus.

Da mesma forma, a Associação dos Docentes da Ufam (Adua), historicamente ativa em questões de defesa de direitos e autonomia, mantém silêncio sobre a agressão direcionada ao professor Luiz Antônio Nascimento e aos estudantes do curso de história.

A omissão se estende à classe política.

Parlamentares que habitualmente utilizam o ambiente universitário como base de militância e debate não emitiram posicionamentos em plenário ou em canais oficiais.

Uma exceção foi o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT).

Essa “normalização” do silêncio sugere uma aceitação tácita da ocupação de espaços de produção de conhecimento científico por movimentos de extrema-direita, que utilizam a força e a presença de segurança armada para ditar o que pode ou não ser exposto nos murais da instituição.

Justiça e segurança

No âmbito da segurança pública, o comando da Polícia Militar e a Câmara Municipal de Manaus seguem a mesma linha de reserva.

O vereador Rosses, que é coronel da reserva da corporação, preside a comissão de segurança da casa legislativa, fator que, para analistas, contribui para o corporativismo e a falta de punição disciplinar ou ética.

Sem o amparo das instituições que deveriam zelar pelo livre pensamento, a reação ao episódio ficou restrita à mobilização estudantil e a setores da imprensa independente.

O caso agora levanta um debate sobre a segurança jurídica e física de professores dentro do campus, em um momento onde o ambiente escolar e acadêmico se torna alvo recorrente de investidas ideológicas externas.

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Foto: divulgação