Luana Piovani pede voto contra projeto de autonomia do BC, mas CCJ aprova

Com independência do banco, a atriz diz que a instituição corre risco de sanções externas e perde garantia de manter a gratuidade do Pix

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 10/06/2026 às 15:04 | Atualizado em: 10/06/2026 às 15:04

Nem os apelos contrários feitos pela atriz Luana Piovani desde Portugal, onde mora, evitaram que os senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovassem nesta quarta-feira (10 de junho) o substitutivo do senador Plínio Valério (PSDB-AM) que dá autonomia financeira ao Banco Central (BC).

A proposta de emenda à Constituição segue para votação em dois turnos no plenário da casa, antes de ser encaminhada à Câmara dos Deputados.

Aprovada de forma simbólica, a proposta também garante uma blindagem ao Pix com a inserção do sistema na Constituição.

“Foi uma vitória sair da CCJ. Coloquei no relatório um artigo garantindo que o Pix é do Brasil, que o Pix é do Banco Central”, comemora o senador amazonense, que aprovou o texto depois de quase três anos de tramitação na comissão.

Sobre o Pix, o parlamentar disse que o sistema não poderá ser terceirizado e não pode taxar a pessoa física.

“Nós vamos colocar isso na Constituição, que é o sonho do brasileiro comum, não querer ser taxado”.

Não é o que avalia o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), que divulgou o vídeo de Luana Piovani pedindo aos senadores o voto contra a matéria.

“O Banco Central deve estar alinhado à transparência e aos objetivos constitucionais do país. Ele deve atender às necessidades do povo brasileiro, não aos interesses do mercado financeiro e dos bancos”, diz a atriz.

Com independência, Piovani diz que o banco corre risco de sanções externas.

“A única garantia que a gente tem de manter a gratuidade do Pix, a segurança das reservas internacionais e do nosso sistema financeiro é manter o Banco Central como autarquia de direito público”, defende após ter estudado o assunto.

Autonomia

O Sinal afirmou que a PEC não é sobre autonomia, pois pretende mudar a natureza jurídica da instituição.

“Essa PEC 65 é um tapa na cara do povo. O Banco Central exerce funções típicas de Estado: fiscalização, regulação, emissão de moeda e poder de polícia”, diz o sindicato.

Para os servidores da instituição, os recursos provenientes de ativos financeiros administrados pelo banco “são do povo brasileiro e não podem ser usados para bancar uma instituição apartada do Estado e à mercê dos interesses do mercado financeiro e dos bancos”.

“A garantia da gratuitidade do Pix é manter o BC como autarquia, com servidores estatutários e carreira típica de Estado”, diz.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado