Cai mais um banco do entorno do Master e rombo passa de R$ 51 bi

O Fundo Garantidor de Créditos projeta desembolso recorde para indenizar correntistas e investidores de instituições liquidadas pelo Banco Central.

Publicado em: 18/02/2026 às 09:00 | Atualizado em: 18/02/2026 às 13:43

O sistema financeiro nacional enfrenta um cenário de instabilidade com a liquidação extrajudicial dos bancos Master, Will Bank e agora do Banco Pleno. Para proteger os depositantes e manter a higidez do setor, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estima um desembolso recorde de aproximadamente R$ 51,8 bilhões em pagamentos de garantias.

O FGC, que atua como uma espécie de seguro para investidores e correntistas, detalhou que a maior fatia das indenizações será destinada ao Banco Master, com uma previsão de R$ 40,6 bilhões.

No caso do Will Bank, a estimativa inicial é de R$ 6,3 bilhões, valor que ainda pode sofrer ajustes até o fechamento da lista de credores.

Já para o Banco Pleno (antigo Banco Voiter), o fundo projeta o pagamento de R$ 4,9 bilhões para cerca de 160 mil clientes.

Motivos e histórico das liquidações

A decisão do Banco Central de encerrar as atividades dessas instituições ocorre quando não há mais condições de operação.

No caso do Banco Pleno e da Pleno DTVM — que pertenciam ao grupo Master até serem vendidos ao empresário Augusto Lima no ano passado —, o BC apontou um grave comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias.

Com estas, já somam sete as instituições ligadas ao Banco Master com liquidação decretada.

Como funciona o resgate dos valores

É fundamental ressaltar que o pagamento do FGC não é automático. O investidor ou correntista deve manifestar interesse para receber o recurso, o que configura uma cessão de crédito: o fundo paga o cliente e passa a ter o direito de cobrar a dívida da massa falida do banco.

O passo a passo para o recebimento inclui:

Consolidação da lista: O liquidante nomeado pelo BC envia a relação de credores ao FGC.

Solicitação: Pessoas físicas devem usar o aplicativo do FGC; pessoas jurídicas utilizam o site oficial.

Assinatura Digital: O beneficiário assina o termo de solicitação de forma eletrônica.

Pagamento: Após a conformidade dos dados, o valor é depositado na conta de mesma titularidade do credor em até 48 horas úteis.

Leia mais

Toffoli ordena que provas de fraude no Banco Master fiquem no STF

O FGC cobre o limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Valores que excederem esse teto permanecem no processo de liquidação da instituição como créditos quirografários, sem garantia de recebimento.

Leia mais no g1

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil