Michelle e Flávio preferiram ficar longe do ato para soltar Bolsonaro

Ambos faltam a ato em Brasília, evidenciando divisão interna e cautela diante de mobilizações contra o STF.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 25/01/2026 às 17:13 | Atualizado em: 25/01/2026 às 17:13

O ato realizado neste domingo (25 de janeiro), em Brasília, contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Bolsonaro, escancarou uma contradição da direita que apoia a direita.

Apesar da mobilização de apoiadores em defesa da chamada “liberdade” do ex-presidente, nem Michelle nem o senador Flávio, agraciado pelo pai com uma candidatura a presidente, compareceram para receber os participantes de caminhada puxada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

A ausência dos dois nomes mais próximos de Bolsonaro (já que Eduardo fugiu para os Estados Unidos, Carlos e Jair Renan se mudaram para Santa Catarina) foi interpretada, por analistas políticos, como um distanciamento estratégico.

Michelle e Flávio se limitaram a manifestações indiretas, evitando presença na recepção a protestantes de decisões judiciais definitivas e que desafiam abertamente a ordem constitucional.

Querem pacificação só no discurso

Embora apresentado como um ato pacífico, especialistas em política avaliam que mobilizações desse tipo não têm como objetivo a pacificação do país.

Ao contrário, funcionam como instrumentos de manutenção do conflito permanente, da deslegitimação do Judiciário e da pressão pública contra o STF.

Para analistas, não há conciliação possível quando manifestações se estruturam a partir da negação da autoridade das instituições e da tentativa de reverter, no grito, condenações impostas pelo sistema de Justiça.

O discurso de “paz” repetido por políticos da direita e do centrão não se sustenta diante de atos que aprofundam a polarização.

Apoio à agenda autoritária

O protesto ignora que Bolsonaro foi condenado por chefiar organização criminosa ligada à tentativa de ruptura institucional, em um contexto que culminou nos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023.

Ao defender sua “liberdade”, a mobilização acaba sendo um gesto de apoio a um golpe contra o Brasil e sua democracia.

Nesse cenário, a ausência de Michelle e Flávio revela o constrangimento de setores do próprio bolsonarismo em se associarem diretamente a uma agenda que mantém viva a radicalização política.

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Longe de unir o país, o ato reforça a estratégia que marcou o movimento desde o poder: mobilizar pela confrontação, não pelo respeito à democracia.

Foto: divulgação