‘Não foi justiça, foi política’, dizem aliados de Bolsonaro no Amazonas

Bolsonaristas acusam o STF de perseguição e reafirmam resistência contra ataque ao legado do ex-presidente

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Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 12/09/2025 às 17:23 | Atualizado em: 12/09/2025 às 17:29

A condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe no Brasil, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) neste dia 11 de setembro, teve reação de seus aliados políticos no Amazonas.

Em suma, consideraram que a condenação era previsível e a pena exagerada, além do julgamento ter sido “motivado por interesses políticos”.

O deputado federal Alberto Neto (PL), único bolsonarista do Amazonas com mandato federal, liderou as críticas.

Conforme postou em rede social, o julgamento representou “um espetáculo para tentar calar a voz do povo”.

“Uma sentença escrita antes mesmo do processo começar. Não foi justiça, foi política”.

O parlamentar, virtual candidato do bolsonarismo ao Senado em 2026, também destacou o impacto da decisão sobre o legado do condenado como chefe de organização criminosa.

“Um teatro judicial armado para desacreditar sua história e desconstruir o legado político de Bolsonaro”.

Neobolsonarista

Na mesma linha, o ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio Neto traçou um paralelo com a cassação de seu pai durante a ditadura militar (1964-1985) ao criticar a condenação de Bolsonaro.

“Ora, se meu pai passou dez anos destituído de sua cidadania, 27 anos de prisão representam um quadro perverso”.

Para a deputada estadual Débora Menezes (PL), filha de compadre de Bolsonaro, questionou o critério da pena e a natureza do crime imputado.

“É lamentável a gente ver uma pessoa pegar 27 anos e que não é por matar, que não é por roubar, que não é por desviar milhões. O Brasil é o país onde estuprar é menos grave do que escrever de batom em uma estátua”.

Assista ao pronunciamento:

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Outros aliados reforçaram esse discurso. A pré-candidata a governadora Maria do Carmo Seffair (PL) classificou a decisão como “grotesca e vergonhosa”, chegando a comparar o Supremo a um “tribunal de inquisição” e criticar a postura dos ministros durante o julgamento:

“São personagens com atitudes marcadas pelo deboche, pela arrogância. Essas características evidenciam uma conduta que não pode ser descrita como digna de magistrados. Elas ferem princípios que deveriam nortear o exercício da justiça”.

O deputado estadual Péricles Nascimento (PL) também endossou a narrativa de perseguição política, afirmando que Bolsonaro foi condenado por ato de vingança, e fez grave acusação.

“São ministros parciais que corriqueiramente decidem contra a direita e não deixam de mostrar todo o seu sentimento de vingança”.

Assista aos pronunciamentos:

Silêncio de alguns

Apesar dessas reações, outros bolsonaristas de peso preferiram o silêncio.

Por exemplo, o vereador Alexandre Salazar (PL), eleito com carrada de votos dos bolsonaristas da extrema direita.

Dessa maneira, essa atitude pode aumentar a tensão dentro do PL do Amazonas, com Salazar já tendo provocado rusgas com a cúpula.

O presidente estadual do PL Amazonas, Alfredo Nascimento, que defendeu Bolsonaro com afinco nas redes sociais, também não comentou nada da decisão do STF até a finalização dessa matéria.

No poder Executivo, diferentemente do governador Wilson Lima (União Brasil), que criticou a condenação, o prefeito David Almeida (Avante), ex-aliado bolsonarista, não se manifestou.

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Foto: Marcos Corrêa/PR