No apagar do ano, jantar salva polo de ar-condicionado da ZFM
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também é o titular do MDIC, disse que o processo produtivo básico (PPB) de ar-condicionado sai nos próximos dias.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/12/2025 às 08:57 | Atualizado em: 18/12/2025 às 08:57
A indústria de ar-condicionado do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM) conseguiu ontem uma solução para um problema que tentava resolver há cinco anos.
Trata-se da edição de um PPB (processo produtivo básico) que reduz a obrigação das empresas do polo industrial de Manaus de comprar um determinado percentual de compressores nacionais. Acontece que, no Brasil, só há um fornecedor, a Tecumseh, empresa com planta em São Paulo.
O problema é que produção e vendas de aparelhos de ar-condicionado no Brasil explodiram e desde 2020 e a Tecumseh não conseguiu acompanhar o ritmo. Assim sendo, as fábricas de Manaus, segundo maior parque de produção desse bem no mundo, ficaram obrigadas, pelo PPB vigente, a comprar 12% de suas necessidades desse monopólio.
A obrigação virou entrave ao crescimento do setor, que fabricou 5,9 milhões de aparelhos em 2024, que vai fechar 2025 com mais de 6,3 milhões prontos e que já se prepara para escalar à casa dos 7 milhões de aparelhos em 2026.
Por que o entrave? Porque as fabricantes não podem importar os compressores, que é o coração das máquinas. Se comporem de fora, podem perde os incentivos fiscais, que são a alma e a natureza principal da existência da ZFM.
Diante desse imbróglio, as entidades empresarias do polo industrial de Manaus, Eletros e Fieam, encamparam movimento para desatar o nó. Primeiro, pediram o fim do monopólio. Não conseguiram. Por fim, este ano, pleitearam a redução da margem de compra. Ao invés de 12%, que se baixasse a 5%. Eletros e Fieam pediram mais: que a margem de compras dos compressores nacionais vigore dentro da capacidade do fornecedor, até solução definitiva.
Na última reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, sinalizou positivamente para a manutenção, em 2025, do mesmo parâmetro adotado em 2024 para a aquisição de compressores.
A manifestação do MDIC ocorreu em resposta direta à provocação e à cobrança objetiva feita pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Serafim Corrêa, que voltou a alertar o governo federal para a urgência de uma solução efetiva para esse gargalo estrutural, que compromete a competitividade de um dos principais setores do Polo Industrial de Manaus.
Contudo, a promessa ficou apenas nas palavras soltas ao ar. No entanto, ontem à noite, num jantar de confraternização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os pontos soltos foram amarados.
Ali, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também é o titular do MDIC, encontrou-se com o presidente da Eletros, Jorge Nascimento, e com o presidente da Fieam, Antônio Silva, e disse: “O PPB de ar-condicionado sai nos próximos dias. As empresas da ZFM fabricantes de ar-condicionado não serão prejudicadas”.
Leia mais
Crise dos compressores já causa demissões e pode fechar fábricas na ZFM
ZFM: Eletros cobra revisão de incentivos e solução urgente ao ar-condicionado
Foto: reprodução
