Que escuridão é essa e quem são esses ratos, Maria?
Na política, as frases têm vida própria e, às vezes, iluminam mais a casa de quem as pronuncia do que a do adversário.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/06/2026 às 07:01 | Atualizado em: 18/06/2026 às 07:01
Quando disse em vídeo que “no fim das contas, quando a luz se acende, quem tem convicção permanece onde está. Os ratos é que correm para a escuridão”, a empresária Maria do Carmo Seffair (PL) talvez estivesse mirando o governador Roberto Cidade (União Brasil). Mas, na política, as frases têm vida própria e, às vezes, iluminam mais a casa de quem as pronuncia do que a do adversário.
Porque, neste momento, a escuridão que cerca a pré-candidatura da bolsonarista parece estar dentro do próprio PL.
Na semana passada, o deputado estadual Delegado Péricles, filiado ao mesmo partido, gravou uma série de vídeos atacando Maria do Carmo. O estopim foi a reação do grupo de comunicação ligado à empresária à tramitação da PEC que autoriza o governo Roberto Cidade a utilizar recursos do fundo destinado às micro e pequenas empresas do Amazonas. Péricles não gostou do tratamento dispensado a ele e respondeu publicamente, expondo uma divisão que até então se mantinha nos bastidores.
Péricles, aliás, não é o único personagem da legenda que parece caminhar por trilha própria.
Outro deputado do PL, Cabo Maciel, já declarou apoio à candidatura de Wilson Lima ao Senado. E fez isso sem mencionar os nomes que deveriam ser prioritários para o partido: Maria do Carmo ao governo e Capitão Alberto Neto ao Senado. Alberto Neto é uma das apostas nacionais do bolsonarismo na estratégia de ampliar a bancada conservadora no Senado.
Por isso, a frase de Maria acaba produzindo uma pergunta inevitável: quem seriam os “ratos” e qual seria a “escuridão”?
No imaginário popular, ratos abandonam o navio quando o barco começa a afundar. A imagem é antiga. Diz-se que são os primeiros a deixar o porão. E, por isso mesmo, a metáfora utilizada pela empresária, mais do que um recado aos adversários, parece lançar luz sobre o estágio atual de sua própria pré-campanha.
Afinal, antes de mirar Roberto Cidade, Maria do Carmo talvez precise explicar por que integrantes do próprio PL andam navegando em direções diferentes.
Porque, no fim das contas, quando a luz se acende, a primeira pergunta que surge não é quem está na escuridão. É quem continua no barco.
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Foto: divulgação
